Venezuela reforça presença militar em cinco estados para combater tráfico de droga
As autoridades venezuelanas estão a reforçar a presença militar e as operações de combate ao tráfico de droga nas águas marítimas de cinco estados , anunciou o ministro da Defesa da Venezuela.
"A marinha bolivariana continua a sua mobilização nos espaços marítimos, na costa caribenha e na costa atlântica. Uma mobilização eficaz. E a nossa aviação militar bolivariana a defender o nosso espaço aéreo venezuelano e também a patrulhá-lo. Ninguém virá fazer o trabalho por nós, ninguém pisará esta terra para fazer o que nos cabe fazer", disse Vladimir Padrino López na rede Telegram.
O ministro explicou, na mesma plataforma, que o reforço da presença militar nas águas marítimas da costa atlântica e caribenha, nos estados de Zúlia, Táchira, Falcón, Nueva Esparta e Delta Amacuro, obedece a instruções dadas pelo Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Por outro lado, precisou que na Zona de Paz I, que abrange os estados de Zúlia e Táchira, fronteiriços com a vizinha Colômbia, já se encontram 25 mil militares.
O anúncio ocorre num momento de crescentes tensões entre a Venezuela e os Estados Unidos, país que enviou militares e navios de guerra, fuzileiros navais e infantaria da Marinha para o Caribe, perto de águas territoriais venezuelanas, numa alegada operação e combate ao narcotráfico.
Na terça-feira passada, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que as forças norte-americanas tinham destruído uma embarcação que teria partido da Venezuela carregada de drogas, na qual estariam 11 "narcoterroristas" que teriam perdido a vida após um "ataque de precisão" das forças norte-americanas.
A Venezuela tem insistido que tem combatido ativamente o tráfico ilícito de substâncias estupefacientes e psicotrópicas.
Na última quinta-feira, Whashington denunciou que dois caças F-16 da Força Aérea venezuelana sobrevoaram um contratorpedeiro norte-americano no Caribe.
Um dia depois, Donald Trump advertiu que, se essas aeronaves voltassem a colocar em risco a "segurança nacional" dos EUA, poderiam ser abatidas.
O Presidente Nicolás Maduro advertiu hoje que a Venezuela passará "a um período de luta armada" para defender a soberania nacional, em caso de alguma tentativa de agressão dos EUA.
"Se a Venezuela fosse atacada, entraríamos imediatamente num período de luta armada, em defesa do território nacional, da história e do povo da Venezuela, e declararíamos constitucionalmente a República em armas", disse.
O Presidente da Venezuela falava numa conferência de imprensa perante jornalistas venezuelanos e internacionais, durante a qual se referiu às tensões com os EUA.
"Estamos num período especial de preparação e, em qualquer circunstância, vamos garantir o funcionamento do país, seja da nossa responsabilidade ou não", sublinhou.
As tensões entre Washington e Caracas intensificaram-se nas últimas semanas, depois de, em 16 de agosto, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, ter afirmado que os Estados Unidos estão preparados para "usar todo o seu poder" para travar o "fluxo de drogas" para o território norte-americano.
Caracas recebeu como ameaça a notícia de que Washington enviou para águas caribenhas navios lança-mísseis e 4.000 fuzileiros numa alegada operação contra cartéis narcotraficantes, em resposta à qual Caracas anunciou a deslocação por todo o país de 4,5 milhões de milicianos, componente da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB).
No passado dia 21 de agosto, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou aos Estados Unidos e à Venezuela para que "resolvam as diferenças por meios pacíficos".