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Fact Check Madeira

A Giesta representa um perigo para o ecossistema?

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Fotos DR

Por estes dias, as redes sociais têm sido ‘inundadas’ com imagens das serras da Madeira, nomeadamente das zonas altas do Funchal, da zona da Encumeada/Lombo do Mouro e de muitos outros locais, nas quais é possível observar um manto de amarelo-vivo, que faz as delícias dos madeirenses e daqueles que nos visitam. É um dos ‘cartazes’ da época.

São vários os elogios à beleza que salta à vista, mas há também quem aponte o problema que estas flores amarelas escondem. Um dos comentários nas redes sociais destaca o facto de a giesta ser uma espécie altamente invasora e com elevado grau de risco para incêndios. Mas será mesmo assim?

Nesta altura do ano, em que a giesta entra no seu processo de floração, as serras ganham cor, mas a verdade é que a planta responsável pelo colorido é também uma das incluídas na lista de plantas invasoras do Instituto de Florestas e Conservação da Natureza (IFCN), sendo mesmo uma das principais espécies invasoras na Região.

Miguel Sequeira, biólogo que já esteve a liderar o IFCN, explica que a giesta, de seu nome científico Cytisus scoparius, expande-se de cada vez que há incêndios, ou seja, a germinação das sementes é beneficiada por estas ocorrências. “Uma coisa é ela ser invasora e outra coisa é nós termos fomentado a sua expansão, a utilização que fazemos do espaço de montanha é errada”, aponta, juntando à giesta, no seu grau de perigosidade para o ecossistema e no benefício que tira do fogo, a acácia.

“As Áreas Protegidas comportam constantemente profundas alterações provocadas pelas múltiplas e crescentes actividades humanas que nelas se fazem sentir. A introdução de plantas invasoras, que levam à descaraterização dos ecossistemas, é uma, entre muitas, dessas alterações sendo uma das situações mais difíceis de controlar e recuperar”, explica, na sua página na internet, o instituto regional, que há anos vem desenvolvendo projectos para controlar ou erradicar este tipo de plantas das Áreas Protegidas.

No entanto, a avaliar por aquilo que temos visto nas serras, “não é preciso um estudo para ver que a batalha contra estas espécies está a ser perdida”, constata o biólogo, lamentando que as espécies endémicas e nativas da Madeira, ao contrário destas espécies acima referidas, por exemplo, não estejam preparadas para a acção do fogo. “Somos todos culpados. Falamos de uma beleza que é uma desgraça. É uma beleza catastrófica”.

“Isto já não é uma questão de biodiversidade. Isto é uma questão de protecção civil”, adverte ainda o antigo governante, dizendo que face aos milhares de pessoas que, todos os dias, percorrem as serras da Madeira, é preciso um olhar redobrado a estas zonas. “Temos mapas de risco, alguns até a ser feitos, mas é só olhar para as serras… quanto mais a mancha amarela fizer a ligação entre o Sul e o Norte, maior é a probabilidade da nossa querida Laurissilva desaparecer”.

Estas plantas foram introduzidas, quer nas regiões autónomas, quer no território continental, consciente ou inconscientemente, propagando-se e desenvolvendo-se espontaneamente, “tornando-se a maior ameaça ao equilíbrio e futuro dos ecossistemas insulares”, acrescenta ainda a tutela com a conservação da natureza.

Mais recentemente, a 11 de Abril de 2023 foi aprovado o Decreto Legislativo Regional n.º 17/2023, que ‘Aprova o regime jurídico aplicável ao controlo, à detenção, à introdução na natureza e ao repovoamento de espécies exóticas na Região Autónoma da Madeira e assegura a execução, na ordem jurídica regional, do Regulamento (UE) n.º 1143/2014, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 22 de outubro de 2014, relativo à prevenção e gestão da introdução e propagação de espécies exóticas invasoras”.

O diploma veio criar, entre outros mecanismos, uma rede para a vigilância de espécies invasoras, designada por rede de alerta, para a coordenação e a comunicação entre as autoridades competentes. “O IFCN, IP-RAM é responsável pela implementação e pelo apoio técnico necessário ao funcionamento da rede de alerta. (…) A rede de alerta é composta pelo IFCN, IP -RAM, que a coordena, e pelos pontos focais designados pela DRADR, para as áreas da sanidade animal e da fitossanidade, pela DRM, pela Direcção Regional de Pescas (DRP), pela Alfândega do Funchal, pela Guarda Nacional Republicana (GNR), pela Polícia de Segurança Pública (PSP), pela Polícia Marítima (PM) e por outras entidades que, pela natureza das actividades desenvolvidas, se queiram associar à rede”, lê-se.

No seu site, o Instituto de Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) observa que existem várias formas, muito simples de aplicar, se realmente estiver interessado em colaborar nesta grande luta que é o Controlo de Espécies Invasoras, e deixa algumas dicas.

- Sempre que viajar não caia na tentação de trazer consigo plantas exóticas!

- Na escolha de uma planta, para colocar na sua casa ou exploração, privilegie sempre as nativas em função das exóticas!

- Faça compostagem com os desperdícios vegetais que retirar do seu jardim ou da sua exploração, nunca os deposite ou transporte para outros locais, principalmente para as áreas naturais!

- Mantenha os seus terrenos e jardins livres de plantas invasoras.

- Promova e participe em ações de controlo e eliminação de plantas invasoras.

“São vários os elogios à beleza da giesta em flor, mas devíamos era estar preocupados com o perigo que ela representa. Além de ser uma espécie bastante invasora é uma das espécies com maior potencial para a propagação dos incêndios”, um internauta nas redes sociais do DIÁRIO