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Cravinho alerta que UE não pode ser cúmplice de "abusos sistemáticos do direito internacional"

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Foto EPA

O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou hoje que "já não é aceitável" invocar os massacres perpetrados pelo Hamas para justificar os "abusos sistemáticos do direito internacional" cometidos por Israel na Faixa de Gaza.

"Já não é aceitável culpar tudo nos massacres cometidos pelo Hamas. Os massacres foram há quatro meses, Israel tem o direito de autodefesa, mas já não estamos a falar, de todo, de autodefesa, e é fundamental que Israel seja obrigado a demarcar-se - o Governo de Israel - de afirmações 'genocidárias' por parte de membros do Governo de Israel", sustentou João Gomes Cravinho, no final de uma reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), em Bruxelas.

O governante disse que Portugal sublinhou que "a UE não pode ser vista como cúmplice de abusos sistemáticos do direito internacional, cometidos por Israel", assinalando que "houve bastantes apoios à volta da mesa em relação a isso".

"Quando digo posições 'genocidárias' estou a falar das posições de determinados ministros do Governo de Israel, que são posições públicas", apontou.

João Gomes Cravinho reconheceu que a União Europeia não pode "obrigar Israel" a demarcar-se das declarações de ministros como o das Finanças, Bezalel Smotrich, ou o da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, mas advertiu que continuar em silêncio pode reverter a totalidade do apoio da comunidade internacional.

"Israel está - e, enfim, quem o disse foi um colega, um ministro de um país que é considerado muito próximo de Israel - a isolar-se em absoluto no cenário internacional devido às posições que tem assumido", disse ainda João Gomes Cravinho, recordando que o país tem, "neste momento, um Governo que representa uma parte extrema do espetro político".