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Cartão azul promete revolucionar o futebol... mas não para já

Na semana passada, o jornal inglês 'The Telegraph' avançou que, em breve, o International Football Association Board (IFAB) tenciona adicionar um cartão disciplinar com nova cor ao desporto-rei.

A regra é simples. Caso algum jogador faça simulação, faltas de anti-jogo ou desrespeite o árbitro, será sancionado com o cartão azul e ficará fora do relvado durante 10 minutos, podendo assim regressar ao campo passado esse período.

De acordo com as mesmas informações, no caso de ser um guarda-redes a ver um cartão azul, nesse caso o treinador terá que optar entre colocar um jogador de campo na baliza ou utilizar uma substituição para fazer entrar o guardião suplente.

Também foi avançado que esta sanção não será aplicada aos treinadores e que os árbitros teriam a indicação para não usarem esta sanção em excesso, para que as equipas não possam ficar com um número demasiado reduzido de jogadores.

Os testes começaram a ser realizados já há algum tempo, mas em categorias inferiores do futebol sueco e galês, com resultados considerados satisfatórios. No seu artigo, o 'The Telegraph' avançou que os cartões azuis podem vir a ser utilizados já na próxima edição da Taça de Inglaterra.

FIFA pede calma

Depois de terem saído as notícias sobre a possível implementação do cartão azul, a FIFA surgiu a garantir que tal não acontecerá tão cedo.

A FIFA deseja esclarecer que as informações sobre a aplicação do chamado 'cartão azul' nos níveis de elite do futebol são incorrectas e prematuras. Qualquer medida deste tipo, a implementar, deve ser limitada de uma maneira responsável aos níveis inferiores, uma posição que a FIFA pretende reiterar quando este tema for discutido com a IFAB no dia 2 de Março FIFA

'Bola dividida' entre os treinadores

Apesar de ainda nenhum jogador ter vindo a público manifestar a sua opinião acerca deste assunto, a possível nova sanção já gerou vários comentários entre os treinadores.

O treinador português Abel Ferreira, que actualmente orienta o Palmeiras, no Brasil, mostrou-se a favor de todas as inovações no futebol. "Aprendi com a minha mulher que não posso fazer sempre as mesmas coisas, tenho que inovar e fazer coisas diferentes. Sou a favor de inventar, tentar, errar, enfrentar desafios. Se a FIFA, ou seja quem for, vê como uma melhoria, não posso dizer que não. Por exemplo, as pessoas falam das cinco substituições… Quando comecei em 2011, na ‘Champions dos jovens’, já podiam usar cinco substituições, e se me perguntarem, acho espetacular. Aqui no Brasil ainda mais, porque podemos gerir os jogadores", referiu.

Por sua vez, o treinador do Liverpool, Jurgen Klopp, teceu críticas a esta nova sanção e frisou que a arbitragem deveria ser mais simples para os árbitros. "Um novo cartão apenas iria dar mais oportunidades para o árbitro falhar. Este tipo de coisas só tornam tudo mais complicado". 

Também o técnico do Tottenham, Ange Postecoglou, manifestou-se contra. "O meu problema com o jogo agora é que o VAR mudou o futebol como uma experiência. Não sei como é que uma cartela de cores diferente fará a diferença. Estão a tentar tornar os jogos mais rápidos, mas estando criando mais confusão", sublinhou.

Mikel Arteta, timoneiro do Arsenal, disse que consegue ver quais podem ser os potenciais benefícios da nova lei.

"Acho que tudo está a ser feito com a intenção de simplificar e deixar mais claro, tentando eliminar erros de decisões que são extremamente difíceis”, disse, acrescentando que espera que "vale a pena tentar" tudo o que seja feito para melhorar o jogo.

Não sei se já estamos prontos para isso. Por isso, espero que seja muito bem testado antes de ser introduzido neste nível", concluiu.

De Espanha também surgiram opiniões, desta feita de Carlo Ancelloti, treinador do Real Madrid. "A ideia que tenho em geral é de simplificar as regras tanto quanto possível, Mas, não sei se os cartões azuis simplificam ou não o trabalho do árbitro. A cada ano as regras ficam mais complicadas", afirmou.