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A Traição do CDS

O CDS transformou-se num partido que não merece a consideração de ninguém e esperemos que os verdadeiros membros daquele partido mudem o seu sentido de voto nas próximas eleições

As últimas eleições Regionais obrigaram à existência de uma coligação para que a Região Autónoma da Madeira pudesse ser governada. Um dos partidos que dava maioria era o CDS que desde as eleições de 1976 se manteve na oposição, lutando contra o regime imposto por Alberto João Jardim e continuado por Miguel Albuquerque em 2015.

O CDS poderia optar por uma coligação com o PS ou com o PPD, pois daria maioria absoluta a qualquer um dos dois partidos. Como opositor do Jardinismo e do Miguelismo (absolutismo, como noutros tempos da história de Portugal), seria de esperar que houvesse negociações logo após o resultado eleitoral, mas entregou-se de braços abertos nas mãos do PPD: Contam-se pelos dedos de uma mão o número de vezes que o CDS votou com o PPD e muitas, mesmo muitas vezes votou juntamente com o Partido Socialista durante quarenta e três anos. Não era a ideologia que estava em causa porque o próprio PPD é um partido que apesar de se dizer Social Democrata, não passa de um partido sem ideologia praticante. Defensor de uma democracia musculada em que na maior parte das vezes parece mais uma ditadura disfarçada do que uma democracia, praticando uma governação em que só vê o seu umbigo, não respeitando as minorias na Assembleia Regional. A sua opção foi pela manutenção dessa democracia musculada e “amigou-se” com o PPD.

Os seus militantes e simpatizantes sentiram-se traídos, pois aquilo a que fizeram oposição durante os quarenta e três anos, deixou de ser a verdade para ser aquilo que o PPD sempre defendeu, tendo chegado ao ponto que os melhores deputados do PPD, são os deputados do CDS e em especial o líder parlamentar, que apesar de ter feito um doutoramento em “Ética Política”, dentro da sua ideologia “seminarista”, falhou a maior parte das suas intervenções, quer na Assembleia, quer noutras intervenções políticas, públicas, que, em golpes de ilusionismo, transformou aquilo que sempre defendeu em mais de quatro décadas, naquilo que o PPD pratica.

O atual Presidente da Assembleia Regional, militante do CDS, que durante algumas décadas se bateu fortemente contra as políticas do PPD, de repente impôs condições para apoiar a coligação em troca do lugar de líder do primeiro Órgão da nossa Autonomia. Trocou o lugar de presidente pela negação de tudo o que andou a dizer durante todo este tempo. Quem faz isso não merece o meu respeito, a minha admiração. Foi mesmo essa posição que viabilizou a coligação e agora anda a mendigar ao Miguel Albuquerque a continuação do “lugarzinho”.

Assim o CDS transformou-se num partido que não merece a consideração de ninguém e esperemos que os verdadeiros membros daquele partido mudem o seu sentido de voto nas próximas eleições regionais, no próximo mês de Setembro. Há que mudar esta governação que pôs a Madeira com a pobreza da sua população em primeiro lugar no país e com o salário médio mais baixo. O CDS tem muitas responsabilidades nisso, porque aceitou duas secretarias no atual governo, uma das quais, a das Pescas, com alguém que saltou de uma Farmácia para o mundo dos anzóis e a outra com muita importância na nossa Economia que manteve o seu “status quo” em orientação da governação.

Enfim uma governação cheia de inverdades que conduziu a nossa Região por caminhos da pobreza, da ignorância, criando um endeusamento à volta da incompetência dos seus governantes.