O Porto Santo para além do Verão
Há um Porto Santo que muitos conhecem apenas das fotografias de agosto. Um Porto Santo cheio, vibrante e procurado por milhares de visitantes. Mas existe uma ilha diferente, menos visível, que vive muito para além do verão. O Porto Santo de quem cá reside todo o ano, de quem trabalha diariamente e de quem continua a acreditar nesta terra mesmo nos meses mais difíceis.
É esse Porto Santo que mais me preocupa e que mais me motiva.
Quem nasce aqui aprende cedo o verdadeiro significado de resiliência, com as dificuldades próprias de uma ilha pequena, marcada pela dupla insularidade e pelas limitações das acessibilidades. Mas aprende também o valor da comunidade, da entreajuda e do orgulho em pertencer a uma terra única.
O grande desafio da ilha continua a ser reduzir a sazonalidade e criar condições para gerar atividade económica, oportunidades e estabilidade ao longo de todo o ano.
Nos últimos anos, o Porto Santo tem vindo a afirmar-se através da realização de eventos fora da época alta, trazendo mais movimento, mais visitantes e mais dinamismo económico em períodos tradicionalmente mais difíceis para a economia local. Esse caminho é fundamental para dar maior estabilidade às empresas e mais confiança a quem investe e trabalha na ilha.
Mas falar do futuro do Porto Santo é também falar de acessibilidades. Ainda este fim de semana quis deslocar-me a Lisboa, por motivos pessoais, e voltei a confrontar-me com uma realidade cada vez mais insustentável, o elevado custo das passagens aéreas para sair da ilha.
Não podemos continuar a olhar para esta situação como algo normal. Para uma ilha como o Porto Santo, a mobilidade não é um luxo. É uma necessidade básica. É acesso à saúde, à educação, ao trabalho, à família e às oportunidades.
Precisamos de mais voos, com maior regularidade e de soluções urgentes que permitam garantir acessibilidades compatíveis com a realidade de quem cá vive.
O reconhecimento do Porto Santo como Reserva da Biosfera representa também uma oportunidade única para afirmar um modelo de desenvolvimento sustentável e equilibrado, valorizando aquilo que nos distingue: a tranquilidade, a autenticidade e a relação harmoniosa entre as pessoas e o território.
Hoje, mais do que nunca, devemos continuar a acreditar num desenvolvimento pensado para as pessoas. Porque os porto-santenses primeiro têm que estar bem para poderem receber bem.
Essa deve continuar a ser a base de qualquer estratégia séria para o futuro da ilha.
O Porto Santo sempre foi uma terra de gente resiliente. E será precisamente essa capacidade de resistência, de união e de orgulho na nossa terra que continuará a definir o nosso caminho.
Porque há um Porto Santo para além do verão. E é esse que merece continuar a crescer e a ser visto de forma diferente.