Albuquerque critica “ruído político” e defende Montenegro
Presidente do Governo Regional considera que os indicadores económicos não sustentam a ideia de uma crise nacional e mantém confiança no ministro da Administração Interna
Miguel Albuquerque saiu em defesa do Governo da República, numa altura em que se discute uma n moção de censura e considerou existir uma diferença crescente entre o “país político” e o “país real”. Para o presidente do Governo Regional, o debate nacional está dominado por um “ruído constante” que não corresponde à situação económica e social de Portugal.
“Todos os dias parece que o país está numa crise tremenda, mas o país não está em crise”, afirmou Albuquerque, apontando o crescimento económico, a redução do desemprego e o controlo da dívida pública como sinais de uma conjuntura favorável.
O líder do executivo madeirense entende que este ambiente político beneficia sobretudo os partidos que procuram capitalizar o descontentamento, designadamente o Chega. Ainda assim, reconhece que o Governo liderado por Luís Montenegro tem revelado dificuldades em comunicar os resultados alcançados.
“Há um ruído político constante, quase histriónico, que serve alguns partidos. O Governo nacional tem de começar a falar mais sobre aquilo que está a acontecer no país. Tem tido um problema de comunicação no meio deste ruído todo”, observou.
Miguel Albuquerque reconheceu a existência de dificuldades em áreas como a habitação e a saúde, mas recusou que estas permitam concluir que Portugal atravessa uma crise estrutural.
“Temos problemas pontuais no acesso à habitação e temos problemas na saúde, mas não são problemas estruturais. Do ponto de vista estrutural, o país está a crescer economicamente acima da média europeia e acima de economias como a Alemanha. Isso tem de ser dito”, sustentou.
Confrontado com as sondagens que apontam para uma aproximação do Chega ao PSD, Albuquerque relativizou os resultados, lembrando que os estudos de opinião reflectem frequentemente momentos de maior instabilidade emocional.
“As sondagens são sempre sondagens e têm uma componente muito emocional. O fundamental é os portugueses olharem para a vida real e para os indicadores concretos”, defendeu.
O presidente do Governo Regional manifestou também confiança no ministro da Administração Interna, recusando juntar-se às vozes que questionam a sua continuidade no executivo de Luís Montenegro.
“Não tenho nenhuma razão para pôr em causa o desempenho do ministro da Administração Interna. Pelo menos neste momento, não tenho qualquer razão para isso”, declarou Albuquerque.