Madeira procura quarta ‘Maravilha’ em 16 anos
Sete patrimónios regionais disputam amanhã um lugar na final nacional
Laurissilva, Praia do Porto Santo e Bailinho da Madeira são as três candidaturas do arquipélago que já conquistaram o título desde 2010
A Madeira procura acrescentar uma quarta distinção ao seu historial nas 7 Maravilhas de Portugal. Sete patrimónios do arquipélago entram amanhã, 5 de Setembro, na meia final Nacional das Novas 7 Maravilhas de Portugal, no Palácio Nacional de Sintra, numa corrida que reduzirá os actuais 49 concorrentes a 21 finalistas.
A Região chega a esta fase representada por um candidato em cada uma das sete categorias: o Forte de Nossa Senhora do Amparo, em Machico, concorre em Castelos; o Teleférico da Rocha do Navio, em Santana, em Grandes Obras; as Casas de Colmo, igualmente em Santana, em História; a Igreja Matriz de São Jorge, em Religião; o Mercado dos Lavradores, no Funchal, em Século XX; a Casa das Mudas, na Calheta, em Século XXI; e o Jardim Monte Palace Madeira, no Funchal, em Turismo.
São estes os sete candidatos que sobreviveram à fase regional, depois de a Madeira ter partido para a votação pública com 21 patrimónios, três por categoria. Os representantes regionais foram conhecidos a 18 de Julho, numa emissão especial da TVI realizada na Praça do Povo, no Funchal.
A edição de 2026 começou, porém, muito antes. O concurso recebeu 629 candidaturas de todo o País. Um painel constituído por 140 especialistas reduziu-as posteriormente a 147 patrimónios, três por categoria em cada uma das sete regiões consideradas pela organização. A votação popular arrancou a 29 de Maio. Todo o processo de votação e apuramento é auditado pela PwC.
Sete disputam três lugares em cada categoria
A matemática da meia-final de amanhã é simples. Estão presentes 49 candidatos, correspondentes aos sete vencedores de cada uma das sete regiões – Norte, Centro, Grande Lisboa, Alentejo e Ribatejo, Algarve, Açores e Madeira. Em cada categoria há, portanto, sete patrimónios em competição.
Apenas os três mais votados de cada categoria avançam. Da meia-final sairão, assim, 21 finalistas, que disputarão a Finalíssima Nacional, marcada para 12 de Setembro, igualmente em Sintra. Nessa derradeira votação será eleito um vencedor em cada categoria, perfazendo as Novas 7 Maravilhas de Portugal.
A votação para a meia-final abriu a 29 de Agosto e pode ser realizada através de chamada telefónica de valor acrescentado ou da aplicação TVI Pass, tendo cada voto o custo de 1 euro mais IVA. Na aplicação estão disponíveis pacotes de 1, 5, 25, 100 e 250 votos, estando estabelecido um máximo de 7.000 votos por utilizador registado em cada fase. No caso da votação telefónica, o regulamento determina que apenas sejam contabilizados os primeiros mil votos provenientes de cada número de origem.
Terminada a meia-final, a votação é reiniciada para os 21 apurados. O regulamento estabelece que a votação da Finalíssima decorre a partir de 5 de Setembro, sendo vencedores os patrimónios com maior número de votos contabilizados em cada uma das sete categorias.
O que ganha uma ‘Maravilha’?
Ao contrário do que a designação ‘concurso’ poderia fazer supor, não está previsto no regulamento qualquer prémio monetário para os vencedores, nem financiamento para obras, conservação ou promoção dos patrimónios eleitos.
O principal ganho é o próprio título de Nova 7 Maravilhas de Portugal, associado à marca do projecto, e a exposição proporcionada pela iniciativa. A organização tem, aliás, apresentado historicamente a distinção como um instrumento de marketing e comunicação e aponta entre os objectivos do projecto a valorização do património, a promoção dos territórios e o reforço da sua atractividade turística.
Na prática, o retorno é sobretudo de notoriedade e promoção: presença nas campanhas e plataformas das 7 Maravilhas, exposição televisiva e digital durante o concurso e possibilidade de os responsáveis pelos patrimónios e respectivos territórios explorarem posteriormente a distinção na sua comunicação e promoção turística. Não existe, contudo, no regulamento de 2026, uma recompensa financeira associada à vitória.
Três vitórias madeirenses
A Madeira sabe o que significa chegar ao grupo dos sete vencedores. A consulta dos resultados oficiais das anteriores edições confirma três triunfos de candidaturas madeirenses desde o início do projecto.
A primeira aconteceu em 2010, quando a Floresta Laurissilva foi eleita uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal, vencendo na categoria Florestas e Matas. A votação decorreu entre Março e Setembro e reuniu 656.356 votos a nível nacional.
Dois anos depois chegou a segunda distinção. Em 2012, a Praia do Porto Santo venceu na categoria Praias de Dunas das 7 Maravilhas – Praias de Portugal. Nessa edição foram contabilizados cerca de 622 mil votos.
Foi necessário esperar oito anos pelo terceiro triunfo. Em 2020, o Bailinho da Madeira, associado à Calheta, integrou o grupo das 7 Maravilhas da Cultura Popular, na categoria Músicas e Danças.
A verificação das restantes edições confirma que não houve outros vencedores madeirenses. A Região ficou fora dos sete eleitos nas edições originais do Património Histórico, em 2007, Gastronomia, em 2011, Aldeias, em 2017, À Mesa, em 2018, Doces, em 2019, e Nova Gastronomia, em 2021. A edição de 2009 tinha um âmbito diferente, destinando-se a património de origem portuguesa localizado no estrangeiro.
Assim, Laurissilva, Praia do Porto Santo e Bailinho da Madeira permanecem como as três únicas vitórias da Madeira na história das 7 Maravilhas. Dezasseis anos depois da primeira, a Região chega à meia-final de amanhã com sete possibilidades de aumentar a conta.