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Madeira

Chega exige controlo forte da imigração na Madeira

Francisco Gomes diz que, "em especial, a imigração islâmica, que não vem para se integrar, mas para dominar e abusar"

Foto DR/CH
Foto DR/CH

O deputado do Chega (CH) eleito pelo círculo da Madeira, Francisco Gomes, defende um "controlo forte da imigração" na Madeira, alegando que o crescimento da população estrangeira residente está a aumentar a pressão sobre a habitação, os salários e os serviços públicos. A posição surge depois de a Região ter atingido, em 2025, um máximo de 19.371 residentes de nacionalidade estrangeira, correspondentes a 7,3% da população regional, lembra.

De acordo com os dados da Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM), que o deputado recorre para justifica a posição, a população estrangeira residente aumentou 161% entre 2021 e 2025, passando de 7.423 para 19.371 pessoas. No mesmo período, o peso dos estrangeiros na população residente subiu de 2,9% para 7,3%.

Francisco Gomes atribui esta evolução àquilo que considera uma política migratória de "portas abertas" e acusa o Governo Regional de não avaliar as consequências económicas e sociais do aumento da imigração.

"Em quatro anos passámos de pouco mais de sete mil para quase vinte mil estrangeiros residentes. Isto é o resultado de uma política deliberada para garantir mão de obra barata às construtoras do regime e aos grupos hoteleiros que são amigos do presidente. Na verdade, o governo regional está a se marimbar para os madeirenses", afirma o deputado.

O parlamentar sustenta que o crescimento da população estrangeira ocorre numa Região já marcada por dificuldades no acesso à habitação, baixos salários e pressão sobre os serviços públicos. Na sua perspectiva, a disponibilidade de mão de obra estrangeira contribui para reduzir a pressão sobre as empresas para aumentarem salários e melhorarem as condições de trabalho.

"Não podemos continuar a importar mão de obra escrava e gente que vive aos 10 e aos 12 num T1 e depois perguntar por que razão os salários não sobem e os nossos jovens fazem as malas. Estamos a criar uma Madeira onde quem nasceu cá não consegue pagar uma casa e construir uma vida por culpa da imigração que Miguel Albuquerque alimenta", afirma.

Francisco Gomes associa ainda a imigração a questões de segurança, defendendo que o aumento da população estrangeira está relacionado com uma maior percepção de insegurança, sobretudo no Funchal. O deputado defende, por isso, que a política migratória deve ser condicionada pelas necessidades económicas da Região e pelo cumprimento da lei.

"À custa da imigração, não há habitação, não há qualidade de vida e não há segurança. A nossa posição é clara: A Madeira não se pode tornar num lago de imigração descontrolada, em especial imigração islâmica, que não vem para se integrar, mas para dominar e abusar", afirma.

Os dados oficiais da DREM mostram, contudo, que a população estrangeira representava em 2025 uma parcela menor da população da Madeira do que noutras regiões portuguesas. A RAM era a segunda região NUTS II com menor peso de estrangeiros, apenas acima dos Açores, onde a população estrangeira correspondia a 3,8% do total. No Algarve, a proporção era de 27,9% e na Grande Lisboa de 22,6%.

O Funchal concentrava 10.193 residentes estrangeiros, 52,6% do total regional, seguindo-se Santa Cruz, com 2.291, Calheta, com 1.430, Machico, com 1.170, e Câmara de Lobos, com 1.090. Em termos relativos, o maior peso da população estrangeira verificava-se no Porto Santo (13,6%), seguido da Calheta (12,3%), Funchal (9%) e Ponta do Sol (7,8%).

A comunidade venezuelana era a mais numerosa, com 3.004 residentes, seguida das comunidades brasileira, com 1.963, nepalesa, com 1.534, alemã, com 1.354, e britânica, com 1.192. A DREM assinala ainda uma crescente diversificação das nacionalidades, com aumentos significativos de residentes oriundos de países asiáticos e africanos.

Para Francisco Gomes, a evolução justifica uma mudança de orientação política, com maior controlo das entradas e prioridade aos interesses económicos e sociais da população residente.

"A Madeira não vai sair do fosso enquanto não controlar fortemente a imigração. Primeiro vêm os salários dos madeirenses, a habitação para os madeirenses, a segurança dos madeirenses e o futuro dos madeirenses. Tudo o resto, é mesmo o resto", conclui.