Total de 54 países assinam Compromisso de Toronto para regresso de crianças ucranianas
A conferência internacional 'Pathways to Peace' terminou ontem com a adoção do Compromisso de Toronto, apoiado por 54 países e organizações internacionais, para localização, regresso e reintegração de milhares de vítimas ucranianas da Rússia, incluindo crianças.
A decorrer durante dois dia em Toronto a conferência 'Pathways to Peace' tinha por objetivo debater o regresso de menores ucranianos, civis detidos e prisioneiros de guerra ao seu país.
A ministra canadiana dos Negócios Estrangeiros, Anita Anand, explicou, ao encerrar o encontro, que o documento compromete os seus signatários a localizar os ucranianos transferidos ou detidos pela Rússia, a facilitar o seu regresso e a apoiar posteriormente a sua recuperação e reintegração nas suas comunidades.
"Prometemos encontrar os ucranianos que foram retirados das suas casas. Prometemos trazê-los de volta, sabendo que pode ser perigoso, complexo e difícil, mas acima de tudo necessário", afirmou Anand.
A conferência 'Pathways to Peace', organizada pelo Canadá, Ucrânia e Noruega, reuniu em Toronto representantes de 83 países e organizações internacionais, dos quais 54 que acabaram por subscrever o compromisso.
Anand destacou que o número de adesões supera o registado na conferência realizada em Montreal em 2024 e apontou que Toronto incluiu países e organizações que não participaram naquela altura.
A ministra também lembrou que desde essa reunião 2.650 menores ucranianos regressaram da Rússia ou dos territórios ocupados, aproximadamente três vezes mais do que tinham retornado quando se realizou a conferência de Montreal.
Apesar desses avanços, Anand indicou que mais de 20.000 menores continuam sem ter regressado e apontou também a situação de civis detidos e prisioneiros de guerra.
Entre as prioridades identificadas durante os dois dias de reuniões está a ampliação do uso de novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial, para localizar pessoas desaparecidas e facilitar o seu regresso.
Os participantes também analisaram o papel que podem desempenhar de intermediários por parte de terceiros países.
A chefe da diplomacia canadiana citou o caso do Qatar, que, na sua opinião, facilitou o regresso de cerca de 80 menores ucranianos, e o da Lituânia, que forneceu sistemas de transporte para a retirada das vítimas.
Outra das medidas discutidas em Toronto foi melhorar o acesso a informações fiáveis sobre o paradeiro e as condições das pessoas que continuam sob controlo russo.
Além disso, os participantes concordaram em reforçar a assistência a quem regressa, bem como às suas famílias e comunidades, especialmente através de programas de apoio psicológico e social.
O Canadá comprometeu cerca de sete milhões de dólares canadianos (aproximadamente cinco milhões de dólares americanos) para estes programas, grande parte dos quais destinada a organizações locais que trabalham no terreno na Ucrânia, indicou Anand.
A ministra canadiana destacou que os testemunhos dados durante a conferência por antigos detidos e pessoas separadas das suas famílias servirão também para orientar a atuação diplomática dos países participantes tanto em fóruns multilaterais como nas suas relações bilaterais.
Anand defendeu que as transferências forçadas de menores, a detenção de civis e o tratamento dado a prisioneiros de guerra constituem violações documentadas do direito internacional. "A Rússia não deve poder transformar estas violações do direito internacional em permanentes", afirmou.
A chefe da diplomacia canadiana encerrou a conferência com um apelo repetido três vezes: "Tragam-nos para casa".