Missão portuguesa com a melhor prestação nos Jogos do Mediterrâneo
O madeirense João Rodrigues, chefe da Missão Portuguesa nos Jogos, reconheceu que a Portugal esteve acima do "inicialmente" previsto nesta edição.
As 32 medalhas conquistadas por Portugal em Taranto2026 foram "uma agradável constatação" para João Rodrigues, que reconheceu que a Missão nacional esteve acima do "inicialmente" previsto nestes Jogos do Mediterrâneo, antecipando umas perspetivas de futuro "absolutamente maravilhosas".
"Havia uma expectativa, obviamente, de medalhas, face aos resultados que alguns atletas traziam para cá, mas, como nós dissemos no início, isto também dependia de quem estivesse do outro lado, porque este é um evento muito particular, mas foi [...] uma agradável constatação", definiu o chefe de Missão.
Portugal encerrou hoje a sua terceira em Jogos do Mediterrâneo com 32 medalhas (16 ouros, sete pratas e nove bronzes), superando as conquistadas em Oran2022 (25) e Tarragona2018 (24).
"Nós estivemos realmente acima daquilo que inicialmente estaria previsto, e tivemos uma quantidade infindável de quartos lugares e de quintos e [classificações] até ao oitavo lugar. Acho que no total são 93 atletas que estavam no top 8, e isso revela uma consistência muito interessante", admitiu o velejador madeirense.
João Rodrigues considerou "super interessante" o facto de metade das medalhas conquistadas por Portugal na cidade italiana serem de ouro, o que, na sua opinião, é um indicador de "maturidade competitiva", e notou também a prevalência das mulheres, que "dominaram o medalheiro".
"O meu objetivo era que nós conseguíssemos, de alguma forma, dar as condições para que os atletas pudessem expressar todo o seu potencial - eu gosto muito de referir esta frase - no terreno de jogo. Este número [de medalhas], talvez eventualmente reflita, modéstia à parte, que nós possamos ter contribuído de alguma forma, por mais humilde que tenha sido, para que isto fosse possível", expressou.
Para o chefe de Missão, o mais importante em Taranto2026 era criar o espírito de uma "Equipa Portugal", um objetivo que considera ter sido alcançado.
"O que eu vi nestes dias que estivemos aqui foi exatamente isso. Pessoas que se apoiaram, atletas que tiveram resultados brilhantes e que foram aplaudidos pelos seus pares. E, quando as coisas também não correram tal como se esperavam, admitirem que houve outros atletas que estiveram melhor", realçou.
O recordista nacional de participações em Jogos Olímpicos -- sete como desportista -- elogiou os 167 atletas da Missão portuguesa na 'cidade dos dois mares', destacando que "foram extraordinariamente corretos, quando ganharam, mas também quando perderam".
"As perspetivas para o futuro são absolutamente maravilhosas. Eu acho que temos aqui um conjunto de atletas e treinadores e dirigentes que estão imbuídos do mesmo espírito", completou.
Para o futuro, de acordo com Rodrigues, ficam também ensinamentos de Taranto2026, nomeadamente as dificuldades encontradas ao nível dos transportes.
"Estou sempre à espera de qualquer coisa assim, porque um evento multidesportivo desta escala, que envolve milhares de atletas, com eventos espalhados por dezenas e dezenas de quilómetros, tem sempre estes desafios inerentes. E nós temos que estar preparados mentalmente para isso, porque é impossível não acontecer, porque a logística, por mais oleada que esteja, tem sempre imprevistos", alertou.
Terem vivido esta experiência mediterrânica vai permitir aos mais inexperientes ganhar competências para lidarem com situações inesperadas, o que, para o chefe de Missão, "será uma mais-valia para eles" no futuro.
"No final, com mais ou menos facilidade, toda a gente acabou por lidar com isso. Acho que não houve nenhum resultado que ficasse condicionado por isso, e os desafios foram ultrapassados. Nós agora o que temos que fazer, que é extraordinariamente importante, [...] é sentarmo-nos e perceber como é que nós vivemos isto, onde é que nós poderíamos ter melhorado [...] para que numa próxima edição estejamos ainda melhor preparados", defendeu.
Numa nota mais pessoal, revelou à agência Lusa como se sentiu na função de chefe de Missão, uma estreia para o velejador que tinha sido também adido olímpico em Tóquio2020, além de presidente da Comissão de Atletas Olímpicos.
"Obviamente, com o devido respeito pelo posto de chefe de Missão, é sempre melhor do outro lado, porque eles é que vivem aquelas emoções da competição em si. Mas eu nunca imaginei que, depois de terminar a carreira, podia viver emoções que de alguma forma trouxessem memórias de quando eu era atleta, e aqui isso realmente aconteceu. Emocionei-me várias vezes, não vou dizer que veio a lágrima ao canto do olho - mas veio -, e isso foi muito bonito de viver", confessou.
Para o madeirense, foi um privilégio e uma honra ser chefe de Missão em Taranto, embora tenha sido "duro".
"Espero ter estado à altura. E sei que [...] a equipa que me acompanhou aqui esteve claramente à altura. Eles foram incríveis, e o feedback que eu recebi dos atletas e dos treinadores e das federações foi de facto muito bonito", salientou, nomeando todos os departamentos do Comité Olímpico de Portugal envolvidos na Missão.
Rodrigues quis terminar a sua entrevista com um agradecimento ao "conjunto incrível" de desportistas que competiram na cidade italiana, considerando que merecem "ser conhecidos para além dos Jogos Olímpicos".
"Há muito mais vida para além dos Jogos. Durante quatro anos eles dão o corpo às balas aqui, todos os dias, e é importante que as pessoas percebam isto: que há realmente aqui uma geração de atletas absolutamente extraordinária, e nós temos de ter orgulho disso", concluiu.