O que são os Jogos do Mediterrâneo?
Portugal está presente, mas nem sempre foi assim. A 20.ª edição, que decorre em Taranto, Itália, conta com representação madeirense. Mas como nasceram estes Jogos, qual o seu propósito e quantos países participam actualmente?
Por estes dias, a 20.ª edição dos Jogos do Mediterrâneo tem merecido destaque mediático. Trata-se de uma competição multidesportiva que o DIÁRIO tem acompanhado com toda a atenção, até porque conta com a presença de atletas madeirenses distribuídos por sete modalidades. Na representação portuguesa há ainda os madeirenses João Rodrigues (chefe de missão da equipa Portugal), Tomás Faustino (team-manager da selecção feminina sub-18 de futebol), Danilo Ferreira (chefe de comitiva da selecção de andebol sub-23 masculina) e Alípio Silva (seleccionador da patinagem).
Mas o que são, afinal, os Jogos do Mediterrâneo? A resposta leva-nos até 1951 e à criação de uma competição inspirada no modelo dos Jogos Olímpicos, mas destinada aos países da região do Mediterrâneo.
Os Jogos do Mediterrâneo, realizados de quatro em quatro anos, constituem, para os países da região mediterrânica, o mais importante evento multidesportivo depois dos Jogos Olímpicos. Mas nem todos os países participantes têm costa no mar Mediterrâneo. Portugal é um deles, tal como Andorra, Kosovo, Macedónia do Norte, Sérvia e San Marino. A presença destes países explica-se pela sua integração no Comité Internacional dos Jogos do Mediterrâneo, tendo em conta a proximidade geográfica, os laços históricos e as afinidades culturais com a região mediterrânica.
A ideia de organizar uns Jogos destinados aos países do Mediterrâneo surgiu no final dos anos 40, por iniciativa do então presidente do Comité Olímpico Egípcio e vice-presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Mohamed Taher Pacha, com a colaboração do grego Ioannis Ketseas, também membro do COI. Durante os Jogos Olímpicos de Londres, em 1948, num período marcado pelas tensões entre as grandes potências, o projecto foi apresentado aos membros do COI, defendendo-se o desporto como instrumento de aproximação e união entre os povos.
Os primeiros Jogos do Mediterrâneo realizaram-se em Alexandria, no Egipto, em 1951. Desde então, a competição cresceu e ganhou dimensão, chegando este ano à sua 20.ª edição. Um dos marcos importantes na sua história aconteceu em 1967, em Tunis, quando as atletas femininas participaram pela primeira vez nos Jogos. Nessa edição, estiveram presentes 38 atletas femininas, num total de 1.249 participantes.
Os Jogos do Mediterrâneo são actualmente da responsabilidade do Comité Internacional dos Jogos do Mediterrâneo, mas esta estrutura não existia quando a competição foi criada, em 1951. Durante a terceira edição, realizada em 1959, em Beirute, o então presidente do Comité Olímpico Libanês e membro do COI, Gabriel Gemayel, alertou para a fragilidade da organização e propôs a criação de um organismo internacional dedicado aos Jogos. O Comité Internacional dos Jogos do Mediterrâneo viria a ser oficialmente estabelecido a 16 de Junho de 1961. O próprio logótipo do Comité Internacional dos Jogos do Mediterrâneo procura traduzir o espírito da competição. É composto por três anéis entrelaçados, que representam os três continentes ligados pelo Mediterrâneo (África, Ásia e Europa) reflectidos no mar, entendido como elemento comum e unificador. O símbolo foi apresentado pela primeira vez nos Jogos de Split, em 1979.
“A bacia do Mediterrâneo é o ponto de encontro de três continentes: África, Ásia e Europa. É o berço das três grandes religiões monoteístas. É também o berço dos Jogos Olímpicos... No entanto, é uma região regularmente abalada por instabilidades e conflitos com efeitos dramáticos sobre as suas populações. Apesar dos problemas, particularmente os políticos, os Jogos do Mediterrâneo realizam-se sempre na data e local escolhidos, reunindo jovens atletas dos países mediterrânicos num ambiente de convívio que fortalece os laços de amizade e solidariedade, apesar das diferenças culturais, religiosas e linguísticas”, sublinha o Comité Internacional dos Jogos do Mediterrâneo no seu site oficial.
Mas Portugal nem sempre participou nos Jogos do Mediterrâneo. O país, através do Comité Olímpico Português, foi aceite pelo Comité Internacional dos Jogos do Mediterrâneo em 2016, concretizando uma pretensão nacional que se prolongava há vários anos. A estreia portuguesa aconteceu em Tarragona, Espanha, em 2018. Desde então, Portugal marcou presença nas edições de Oran, na Argélia, em 2022, e agora em Taranto, Itália.
Actualmente são 26 os membros do Comité Internacional dos Jogos do Mediterrâneo: Albânia, Argélia, Andorra, Bósnia & Herzegovina, Croácia, Chipre, Egipto, Eslovénia, Espanha, França, Grécia, Itália, Kosovo, Líbano, Líbia, Malta, Mónaco, Montenegro, Marrocos, Macedónia do Norte, Portugal, San Marino, Sérvia, Síria, Tunísia e Turquia.
Na representação madeirense, são vários os atletas que participam nos Jogos do Mediterrâneo. Mafalda Avelino (atleta do CDR Prazeres) no badminton, Ana Brito (atleta do Clube Naval da Calheta) na canoagem, Gonçalo Gomes (CD 1.º de Maio) no ténis de mesa, Ricardo Correia (Centro Treino Mar) na vela, Afonso Silva (CDR Prazeres), Jéssica Rodrigues (CDR Prazeres) e Francisca Henriques (Club Sport Marítimo) na patinagem de velocidade, Rosalina Santos (Sporting CP) e Pedro Buaró (SL Benfica) no atletismo e Bruna Aguiar (Club Sport Marítimo) no futebol. Mafalda Avelino e Ana Brito são atletas continentais que representam clubes madeirenses.
No total, a comitiva portuguesa é composta por 168 atletas. Portugal está representado nas seguintes modalidades: andebol, atletismo, badminton, basquetebol 3x3, boxe, canoagem, ciclismo, equestre, esgrima, futebol, ginástica artística, ginástica rítmica, judo, karaté, lutas amadoras, natação, padel, patinagem de velocidade, petanca, remo, skateboarding, taekwondo, ténis, ténis de mesa, tiro, tiro com arco, tiro com armas de caça, triatlo, vela e voleibol.
Os Jogos do Mediterrâneo cresceram significativamente ao longo das suas 20 edições. Na primeira, realizada em 1951, em Alexandria, no Egipto, participaram 734 atletas, todos masculinos, em representação de 10 países. Em Taranto’2026, a dimensão é bem diferente: estão presentes 3.803 atletas, dos quais 2.189 são masculinos e 1.614 femininos, distribuídos por 30 modalidades.
A edição de Taranto, que assinala os 75 anos da primeira edição dos Jogos do Mediterrâneo, decorre até 3 de Setembro. A RTP2 e RTP Play transmitem as diversas modalidades, sobretudo as provas com presença portuguesa.