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Projeto da Universidade de Leiria e Oeste dá resposta digital e personalizada a pessoas com demência

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O projeto Smilight, desenvolvido por investigadoras da Universidade de Leiria e Oeste (ULO), dá resposta a pessoas com demência através de uma solução tecnológica com atividades terapêuticas personalizadas, que podem ter o apoio da inteligência artificial.

Esta solução assenta num modelo híbrido, que combina tecnologia e jogos físicos. Através de uma plataforma digital, o profissional ou o cuidador que acompanha o utente cria o perfil do utente, com informações como a idade, escolaridade, atividades de que gosta, grau de autonomia ou o seu estado cognitivo.

"O Smilight é distinto das outras aplicações que existem na área da demência, no sentido que contém todo o processo clínico num só formato digital. Tem um momento de avaliação com base em biossinais, que são o eletroencefalograma e a resposta galvânica da pele, e depois há a avaliação dos dados clínicos, o que resulta numa prescrição automática ou manual com base num algoritmo e na melhor evidência disponível", precisou a coordenadora, Carolina Reina.

É, em seguida, feita uma intervenção personalizada, que incorpora alguns jogos do portfólio AGILidades, uma 'spin-off' da Universidade de Leiria e Oeste, que visa o desenvolvimento de materiais para incentivar o treino funcional em populações frágeis.

A agência Lusa acompanhou uma sessão com duas idosas, de 72 e 88 anos, do Centro Social Paroquial dos Pousos, em Leiria, que foram desafiadas a colocar um copo na respetiva imagem indicada pela plataforma. As utentes não só tinham de identificar a imagem correspondente, como utilizar a mão indicada e o sentido do copo (para cima ou para baixo).

À medida que as utentes foram jogando, a técnica registou o número de acertos e erros. "Daqui sai um índice que nos permite ter de uma noção muito clara do progresso do utente nas terapias e realizar eventuais ajustes", explicou Carolina Reina, que referiu que os dados ficam acessíveis num repositório com o historial clínico completo.

As atividades podem privilegiar as dimensões cognitiva, funcional ou social de acordo com os objetivos definidos, afirmou a coordenadora do AGILidades Marlene Rosa, destacando que o Smilight "concilia uma série de estímulos".

A animadora do Centro Social Paroquial dos Pousos, Neuza Brites, sublinhou que estes jogos podem trazer memórias passadas, como sucedeu com uma das utentes, o que contribui para que "estejam mais motivados a realizar alguma atividade".

Esta técnica considerou ainda que este "tipo de jogos é uma opção mais interativa para trabalhar competências de forma mais lúdica" e "é mais fácil envolver os utentes que já têm hábitos ativos nestas atividades", que trazem "rotina e consistência", o que "é bom para manterem as capacidades preservadas".

A atenção é um dos aspetos trabalhados, realçou a terapeuta ocupacional Sara Lopes, observando que os resultados que a plataforma apresenta são mais "intuitivos e práticos", e "uma mais-valia para o trabalho diário", porque é possível perceber de imediato a evolução.

Atualmente, o projeto acompanha 55 utentes provenientes de sete parceiros, incluindo lares, instituições, centros de dia e associações que trabalham com a comunidade.

No âmbito da demência, as investigadoras estão também a desenvolver o 'Córtex School Bag', um projeto que visa a introdução da temática da demência nas escolas do 1.º ciclo, através de um livro infantil musicado, de um jogo de tabuleiro e de um guia para professores.

"A certa altura percebemos que é necessário prevenir a demência desde muito cedo e não há um espaço específico nos currículos para os meninos trabalharem esta área", constatou Marlene Rosa.

Segundo a também investigadora do ciTechCare da ULO, muitas crianças convivem com familiares próximos que sofrem de demência, pelo que "quanto melhor entenderem, mais se envolvem, são empáticos e percebem o que se passa com os seus avós".