Universidade da Venezuela à espera de acordos com Portugal
“Existe vontade de ambas as partes, mas temos de insistir e trabalhar em conjunto”
As raízes familiares na Ribeira Brava deram um significado especial à recepção de Jorge Santos na Universidade Central da Venezuela. O presidente da Câmara foi recebido pela vice-reitora Fátima Garcês, luso-descendente e filha de naturais do concelho, num encontro que abriu a possibilidade de uma futura cooperação com a Universidade da Madeira.
“Para mim é um orgulho receber aqui o presidente da Câmara da Ribeira Brava, porque as raízes nunca se desprendem”, afirmou Fátima Garcês, recordando que o pai falava frequentemente do amor que sentia pela Madeira e, em particular, pela terra onde nasceu.
Ministro destaca proximidade entre a Venezuela e a Madeira
O ministro dos Transportes e Infra-estruturas da Venezuela, Francisco Garcês, destacou a proximidade histórica e afectiva entre o povo venezuelano e a Madeira, após receber o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava, Jorge Santos.
A vice-reitora manifestou interesse na criação de um protocolo que permita aproximar as duas universidades, promover o intercâmbio de estudantes e desenvolver projectos de investigação conjuntos. A Universidade Central da Venezuela já mantém acordos com instituições de vários países europeus, mas ainda não possui uma parceria semelhante com Portugal.
“Existe vontade de ambas as partes, mas temos de insistir e trabalhar em conjunto”, defendeu Fátima Garcês. O primeiro passo será conhecer os cursos ministrados pela Universidade da Madeira e identificar as áreas compatíveis com a oferta formativa da instituição venezuelana.
“A Venezuela está no meu coração e Portugal na minha alma”
A visita do presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava à Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas ficou marcada pelo testemunho emocionado de duas emigrantes que chegaram à Venezuela em 1972 e que continuam profundamente ligadas às suas origens.
A ligação a Portugal está já presente na vida académica da universidade. A Escola de Idiomas Modernos dispõe de um departamento de Língua Portuguesa, sendo o português uma das línguas mais procuradas pelos estudantes, juntamente com o inglês e o francês. A instituição recebe igualmente muitos alunos portugueses e luso-descendentes.
Durante o encontro, Jorge Santos conheceu também os principais desafios da Universidade Central da Venezuela, sobretudo a falta de financiamento e a saída de professores para outros países. Em cerca de 15 anos, o corpo docente caiu de aproximadamente oito mil para 3.800 profissionais, uma redução provocada, em grande medida, pelos baixos salários.
Donativo da Ribeira Brava reforça apoio médico em Caracas
Jorge Santos visitou a Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas durante uma jornada de saúde destinada, sobretudo, à comunidade madeirense
A perda de professores condicionou igualmente o número de estudantes que a universidade consegue receber. A instituição chegou a ter cerca de 58 mil alunos, mas viu a sua capacidade diminuir substancialmente por não dispor de docentes suficientes para assegurar todas as aulas.
Fátima Garcês prepara-se, entretanto, para concorrer ao cargo de reitora. A responsável considera possuir a preparação académica necessária e defende que a universidade deve reforçar a investigação, actualizar os cursos e criar novas formações ajustadas às transformações do mundo.
No final da visita, Jorge Santos ofereceu à vice-reitora uma camisola do Clube Desportivo da Ribeira Brava, livros editados pelo Município e uma medalha do concelho. O gesto simbolizou a ligação de Fátima Garcês à terra dos pais e o propósito de aproximar a Ribeira Brava da comunidade académica venezuelana