ONG relatam dezenas de libertações na Venezuela, horas depois de diálogo
Várias ONG de defesa dos direitos humanos anunciaram hoje a libertação de entre 20 e 30 pessoas durante a madrugada, medida que surge pouco depois do fecho da segunda ronda de diálogo entre o 'chavismo' e a oposição.
Entre os libertados, segundo informou a organização Foro Penal, na rede social X, estão o ex-coronel Miguel Castillo Cedeño, detido em 2019, e Frank Cabañas, detido em 2017, ambos acusados de alegados planos de desestabilização contra o Governo de Nicolás Maduro.
Foro Penal, organização líder na defesa jurídica de presos políticos, informou a agência noticiosa EFE que estava a verificar o número total de detidos libertados.
"Temos informação sobre pouco mais de 20, mas estamos a verificar diretamente cada caso", disse à EFE o diretor-vice-presidente da organização, Gonzalo Himiob.
Por sua vez, a ONG Justicia, Encuentro y Perdón (JEP) informou na rede social X que conseguiu verificar 29 libertações provenientes de vários centros de detenção.
"Queremos esclarecer que um grupo de 17 pessoas entre os libertados não constava do nosso registo de presos políticos. Esclarecemos que tal se deve estritamente aos critérios técnicos e institucionais que aplicámos para a classificação metodológica dos casos --- com base nos tipos criminais ou nas acusações imputadas ---, o que não diminui a relevância da sua situação nem a atenção que dedicamos aos seus processos", afirmou a JEP.
Entretanto, a ONG Surgentes anunciou a libertação de oito mulheres, entre as quais uma adolescente, acusadas de integrar os chamados "tancol" - um acrónimo criado pelas autoridades locais para se referirem aos "terroristas armados narcotraficantes colombianos".
Após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro, o Governo da agora Presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou um processo de libertações que se estendeu por todo o ano e promoveu uma lei de amnistia que beneficiou mais de 8.000 pessoas, embora a maioria delas já estivesse em regime de liberdade restrita.
Estas novas libertações ocorrem após o encerramento do segundo ciclo de diálogo político, apesar de o 'chavismo' ter indicado que este não é um tema discutido na mesa das negociações.
Segundo o Foro, antes destas libertações, existiam 344 presos políticos na Venezuela.