Teerão apresenta aos EUA plano para reabrir estreito de Ormuz em 7 dias
O Irão apresentou uma proposta aos Estados Unidos para reabrir o estreito de Ormuz dentro de sete dias, adiantou hoje o chefe da diplomacia iraniana, acrescentando que a decisão cabe agora a Washington.
"O prazo de sete dias começará assim que os Estados Unidos aceitarem este plano", detalhou Abbas Araghchi, em declarações a partir da sede da ONU, em Nova Iorque.
A reabertura deste estreito estratégico está no centro do conflito entre Teerão e Washington.
Araghchi já tinha divulgado que o Irão comunicou na terça-feira ao emissário norte-americano Steve Witkoff sete condições para pôr fim à guerra e reabrir o estreito de Ormuz.
O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou também hoje que Teerão deseja regressar ao memorando de entendimento assinado em junho com os Estados Unidos e saudou a "convergência de pontos de vista" entre Teerão e Pequim sobre a guerra no Médio Oriente.
Numa mensagem publicada na rede social X, Masoud Pezeshkian elogiou "o apoio ponderado e responsável do Presidente (chinês) Xi Jinping a um regresso ao Memorando de Islamabade (o memorando de entendimento) e à resolução de litígios através do diálogo e da diplomacia".
"O Irão partilha esta abordagem e sublinha a importância de regressar a este acordo, honrar os compromissos já assumidos e criar as condições necessárias para a abertura de negociações sérias, concretas e orientadas para os resultados", acrescentou.
Estas mensagens foram publicadas enquanto Xi Jinping realizava uma visita de Estado aos Estados Unidos, sendo recebido em Washington pelo Presidente Donald Trump.
O republicano revelou aos jornalistas ter conversado sobre o Irão, aliado de Pequim, com o seu homólogo chinês.
"A convergência de pontos de vista entre Teerão e Pequim sobre o respeito pela soberania nacional, a desescalada e a preservação da paz e da estabilidade regionais constitui uma base sólida para a continuidade de uma cooperação construtiva", realçou ainda o presidente iraniano, que esteve em Nova Iorque nos últimos dias para a Assembleia Geral da ONU.
Trump e Pezeshkian assinaram em junho um memorando de entendimento que visava pôr fim à guerra, reabrir o estreito de Ormuz e, posteriormente, realizar negociações sobre a questão sensível do programa nuclear iraniano.
No entanto, o texto foi alvo de interpretações divergentes por parte de ambas as partes, alimentando o retomar das hostilidades no estreito de Ormuz.
O Irão exige que os navios que pretendam atravessar o estreito obtenham autorização do país, alegando razões de segurança e soberania.
Os navios que não cumprem este requisito são frequentemente alvo de ataques, enquanto os Estados Unidos bombardeiam esporadicamente a costa iraniana.