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A Guerra Mundo

ONU adverte para nova e perigosa fase da guerra na Ucrânia

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Foto DR/Arquivo

A ONU alertou hoje que a guerra na Ucrânia está a entrar numa "nova e perigosa fase da guerra", com a intensificação dos ataques, o aumento das baixas civis e o risco de um alastramento regional crescente.

"As consequências fazem-se sentir muito além do campo de batalha. Não se deixem enganar. Não se trata simplesmente de uma escalada nos combates. Trata-se de uma escalada no sofrimento humano, no risco regional e nos danos causados aos princípios da Carta da ONU e à ordem internacional", disse hoje Rosemary DiCarlo, subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz.

Numa reunião de alto nível do Conselho de Segurança da ONU sobre a Ucrânia, convocada pelos membros europeus do órgão e presidida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noel Barrot, DiCarlo afirmou que o corrente ano tem sido particularmente devastador para os civis.

Só nos primeiros oito meses, foram mortos ou feridos mais civis na Ucrânia do que durante todo o ano de 2025, realçou.

Desde fevereiro de 2022, pelo menos 17.257 civis, incluindo 835 crianças, foram mortos na Ucrânia e outros 53.693 ficaram feridos.

As baixas civis decorrentes de ataques ucranianos dentro da Federação Russa também aumentaram significativamente, com as autoridades russas relatando 443 mortos e 2.932 feridos de janeiro a agosto.

Contudo, são os incidentes com drones transfronteiriços e atividades militares em torno de instalações nucleares que estão a aumentar os temores de um maior impacto regional do conflito, segundo a ONU.

"A preocupação continua a crescer relativamente às consequências da guerra nos países vizinhos da Ucrânia e ao perigo de uma maior expansão. As incursões transfronteiriças de drones que afetam ou se aproximam do espaço aéreo dos Estados vizinhos tornaram-se cada vez mais frequentes, aumentando as preocupações sobre o perigo de um maior alastramento regional", disse DiCarlo.

Os ataques a passagens fronteiriças e a infraestruturas de transporte e logística junto das fronteiras internacionais agravam estes riscos, acrescentou.

Nas últimas semanas, foram relatados incidentes envolvendo drones nas zonas fronteiriças da Ucrânia com a Moldova e a Polónia, bem como na Lituânia e na Roménia.

"A atividade militar relatada dentro e em redor das instalações nucleares da Ucrânia, bem como das instalações nucleares na Federação Russa, continua também a ser uma séria preocupação. Qualquer incidente que ponha em perigo a segurança de qualquer instalação nuclear pode ter consequências catastróficas", advertiu a representante da ONU.

Com a aproximação do inverno, ataques à infraestrutura energética da Ucrânia podem deixar milhões de pessoas sem aquecimento e eletricidade, alertou DiCarlo, pedindo uma moratória imediata nos ataques contra centros populacionais.

Reafirmando a soberania e a integridade territorial da Ucrânia, a subsecretária-geral instou à intensificação da diplomacia rumo a um cessar-fogo imediato, completo e incondicional.

"O envolvimento diplomático deve ser acompanhado por uma desescalada significativa", enfatizou, alertando que, sem isso, os riscos para os civis, para a região e para a paz e segurança internacionais só aumentarão.

Poucos minutos antes do início da sessão, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, leu uma declaração copatrocinada por cerca de meia centena de países, incluindo Portugal, expressando solidariedade para com a Ucrânia.

"Recordamos que a Carta das Nações Unidas defende a soberania, a independência e a integridade territorial de todos os Estados e o direito inerente à autodefesa. (...) Estamos profundamente preocupados com a escalada da Rússia contra civis e infraestruturas civis em toda a Ucrânia, causando um número recorde de vítimas nos últimos meses, como registado pela ONU", disse Kallas.

Na sede da ONU, em Nova Iorque, os signatários expressaram particular preocupação com os ataques no Mar Negro, acusando Moscovo de tentar sufocar as exportações de cereais ucranianos, pondo em risco a segurança alimentar global.

Nesse sentido, apoiaram os esforços para um acordo no Mar Negro que salvaguarde a liberdade de navegação e exigiram a proteção da navegação comercial e das infraestruturas críticas.