Abstenção ronda 62% nas legislativas em Marrocos um recorde nos últimos 20 anos
As eleições legislativas de hoje em Marrocos terminaram com uma participação de 38,02% e uma abstenção de 61,98%, a maior em 20 anos, segundo dados do Ministério do Interior marroquino.
Esta é também a segunda mais alta abstenção desde a ascensão ao trono de Mohamed VI.
Trata-se da taxa de participação mais baixa desde 2007, quando apenas 37% do censo eleitoral votou, com uma abstenção de 63%.
O dia decorreu com total normalidade, exceto por um incidente em Tânger (norte), onde a polícia deteve uma pessoa por uma suposta tentativa de manipulação de votos numa das mesas de votação.
O Ministério Público marroquino indicou que o detido foi apanhado na praça de uma escola em Tânger, onde se encontrava uma mesa de votação, com um saco que continha boletins de voto que, segundo imagens divulgadas pelos meios de comunicação locais, pertenceriam a um dos partidos que fazem parte da atual maioria governamental.
Além disso, o Ministério Público está a investigar um vídeo divulgado nas redes sociais em que aparece uma urna que continha numerosas cédulas que, de acordo com testemunhos recolhidos por meios de comunicação locais, poderiam ter sido introduzidas antes do início da votação para favorecer um partido.
Após uma campanha de baixo perfil, os marroquinos votaram para eleger os 395 membros do Parlamento.
O dia ficou também marcado por um grande dispositivo de segurança nas fronteiras com as cidades espanholas de Ceuta e Melilla (localizadas no Norte de África) após apelos a novas travessias ilegais, como a que ocorreu no passado dia 30 de julho, quando cerca de 70.000 pessoas entraram em Ceuta, provocando a maior crise migratória registada entre o Marrocos e a Espanha.
Para votar em Marrocos é necessário o cidadão inscrever-se no recenseamento eleitoral, que desta vez contou com 15,8 milhões de pessoas, numa população de cerca de 38 milhões.
Os jovens entre os 18 e os 24 anos representaram apenas 4% dos que se registaram.
As estimativas situam, no entanto, em cerca de 28 milhões o número de marroquinos com direito a voto.
Para os especialistas, esta diferença prova o desinteresse eleitoral.
A elevada abstenção tem sido uma característica recorrente nas sucessivas eleições ao longo dos últimos 25 anos naquele país.
Em 2021, na última chamada, a abstenção chegou aos 49,6%, um número que, embora muito elevado, representa a maior participação em 20 anos, ligeiramente acima dos 50%.
No histórico eleitoral, a maior abstenção em relação aos eleitores inscritos desde que Mohamed VI subiu ao trono registou-se em 2007, com 63%, seguida dos 57% de 2016.
As autoridades eleitorais avançam com a contagem dos votos, que previsivelmente não será tornada pública até de madrugada em Marrocos.
Os assentos são distribuídos segundo um sistema calculado não com base nos votos válidos, mas no número de inscritos em cada circunscrição, o que favorece a fragmentação e impede maiorias absolutas.
Após a divulgação dos resultados oficiais definitivos, o rei Mohamed VI nomeará o novo presidente do Governo do partido que tenha obtido o primeiro lugar nestas eleições, que terá de negociar uma coligação com outras formações.
O Governo cessante, presidido pelo magnata Aziz Ajanouch, é composto pelo RNI, PAM e Istiqlal, liberais, conservadores e nacionalistas, respetivamente.