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Putin renova maioria parlamentar com recorde de deputados

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Foto ALEXANDER KAZAKOV/SPUTNIK/KREMLIN/POOL/EPA

O partido que apoia o regime do Presidente Vladimir Putin, Rússia Unida (RU), revalidou a maioria parlamentar com um número recorde de pelo menos 355 dos 450 deputados, anunciaram hoje as autoridades eleitorais russas.

O anterior recorde era de 343 deputados e tinha sido alcançado pelo RU em 2016, de acordo com a agência francesa AFP.

Numa primeira reação, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, considerou que os resultados "demonstram um nível excecional de coesão da sociedade russa em torno" de Putin.

Os resultados de mais de 95% das assembleias de voto atribuíram ao RU cerca de 58% dos votos para os 225 lugares distribuídos por listas partidárias, de acordo com a Comissão Eleitoral Central.

Outros 225 deputados foram escolhidos em círculos uninominais, e os resultados mostraram os candidatos do partido afeto ao Kremlin (presidência) a liderar em 208 dessas disputas, noticiou a agência norte-americana AP.

A presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, disse que os resultados preliminares indicavam que o RU deverá obter pelo menos 355 lugares dos 450 que compõem a Duma Federal, a câmara baixa da Assembleia Federal.

Pamfilova congratulou-se com um recorde de afluência às urnas, que ultrapassou oficialmente os 59%.

"Trata-se, precisamente, da taxa de participação mais elevada de sempre registada em eleições deste nível", afirmou.

Os resultados definitivos estão previstos para sexta-feira.

O ex-presidente e atual líder do partido RU, Dmitri Medvedev, saudou os resultados como uma manifestação de confiança no poder.

O aliado de Putin prometeu "apoiar a linha definida pelo Presidente" e "aproximar [o país] da vitória".

A votação decorreu entre sexta-feira e domingo, naquelas que foram as primeiras legislativas russas desde que Putin ordenou a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Foi a primeira votação a incluir residentes de quatro regiões da Ucrânia que foram ocupadas e ilegalmente anexadas por Moscovo no final de 2022.

A votação também se realizou na Crimeia, ilegalmente anexada pela Rússia em 2014.

A Ucrânia denunciou como ilegal a votação nas cinco regiões, cuja soberania reclama a Moscovo com o apoio dos aliados ocidentais de Kiev.

Já a China felicitou hoje a Rússia pelas "bem-sucedidas eleições" e considerou que "os resultados refletem a vontade popular".

"A China apoia firmemente a escolha independente [dos eleitores] e está preparada para trabalhar com a Rússia para avançar nas relações bilaterais", disse o porta-voz da diplomacia de Pequim Guo Jiakun, citado pela agência espanhola EP.

O Kremlin procurou que as eleições servissem para demonstrar o apoio popular à guerra e esforçou-se por evitar riscos políticos, esmagando qualquer dissidência, de acordo com a AP.

O partido liberal Yabloko, o único que se atreveu a criticar publicamente a guerra, foi retirado do boletim em agosto, pelo Supremo Tribunal da Rússia.

O Yabloko apresentou apenas algumas dezenas de candidatos em círculos uninominais.

Alguns políticos antiguerra foram presos ou forçados a fugir para o estrangeiro antes da campanha eleitoral.

O Yabloko e o Partido Comunista, que criticou alguns aspetos da política governamental mas evitou cuidadosamente qualquer crítica a Putin, disseram que muitos dos seus observadores foram impedidos de entrar nas assembleias de voto.

A Rússia não convidou observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), com o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo a acusar o organismo de "duplos critérios" pelas críticas a Moscovo.

As eleições decorreram num contexto de incessantes ataques de drones ucranianos.

No domingo, o Ministério da Defesa russo disse que as defesas antiaéreas derrubaram 1.110 aeronaves não tripuladas ucranianas durante a noite em toda a Rússia, bem como sobre a Crimeia e o mar Negro.

Os ataques causaram três mortos e 38 feridos na região de Moscovo, disseram as autoridades.