Fenómeno das "turmas de elite" já tem mais de duas décadas na Madeira
Há 20 anos, o DIÁRIO trazia para a primeira página a realidade das chamadas "turmas de elite" nas escolas madeirenses.
A 23 de Setembro de 2006, o DIÁRIO noticiava que as "turmas de elite" eram já um assunto de debate ideológico nas escolas.
"Repetentes a um lado, bons alunos a outro. Este ainda é um critério usado nas escolas da Madeira para fazer turmas", começava por escrever o DIÁRIO, explicando que tal acontecia porque, entre os professores, existiam muitos defensores da tese de que um grupo forte potenciava as qualidades dos melhores estudantes.
"Eu defendo que se devem fazer turmas heterogéneas, de modo a assegurar a todos as mesmas oportunidades, mas, nas escolas, há quem defenda, com a mesma convicção, que se devem juntar os melhores alunos, de modo a que sejam ainda melhores", dizia uma docente.
O artigo dava conta de que, de um lado, se defendia que um grupo forte preparava melhor os alunos para o futuro, tornando-os mais competitivos e colocando-os em vantagem quando chegasse o momento de ingressar no ensino superior. Do outro, aqueles que entendiam que a escola deveria promover a integração consideravam que esta prática acentuava as assimetrias sociais dentro das salas de aula e condicionava ainda mais alunos que já tinham, por si só, histórias de vida complicadas.
Por sua vez, o Sindicato dos Professores tinha a percepção de que a tentação de colocar juntos os melhores alunos "já tinha sido pior".
"Há turmas que são muita coincidência, mas a verdade é que foram feitas com critérios fundamentados". Por isso, o assunto era recorrente, tal como a procura por determinadas escolas públicas. No 2.º e 3.º ciclos, os encarregados de educação tinham uma grande preferência pela Escola Horácio Bento de Gouveia, mas as pressões começavam antes, no pré-escolar e no 1.º ciclo.
Uma procura e uma pressão que o então director regional de Planeamento e Recursos Educativos admitia existirem. "As pessoas são livres de procurar aquela que acham que é a melhor escola para os filhos".
No caso do 1.º ciclo, naquela altura, a preferência recaía quase sempre sobre as escolas a tempo inteiro da Pena, dos Ilhéus e da Ajuda, por serem as mais centrais. A pressão, no entanto, não terminava com a entrada numa destas escolas. "Uma vez matriculado, os encarregados de educação tentam manter o filho no turno da manhã. E, chegados a este ponto, recomeça a pressão, desta vez sobre as direcções e os professores da escola", podia ler-se.
Rui Alves nega assinatura em apoio a Valentim Loureiro
No capítulo do Desporto, o destaque ia para o facto do presidente do Nacional, RuiAlves, ter garantido que não tinha assinado qualquer declaração de apoio à lista de Valentim Loureiro para a presidênciada Assembleia Geral da Liga.
Em declarações à TSF-Madeira e numa reacção a um comunicado da Liga, segundo o qual o dirigente madeirense tinha enviado um fax de apoio a Valentim Loureiro ,RuiAlves foi peremptório: "Essa declaração não corresponde à minha assinatura. Não assinei nada".
"Esse fax tinha saiu de uma localidade do Continente numa altura em que eu nem estava em Portugal, o que vem provar até a forma como foi aferida a legalidade das listas apresentadas no acto eleitoral. Se todas elas foram feitas assim, estamos a ver de que modo elas foram feitas e a aceitação por parte da Doutora Andreia Couto e posterior verificação por parte do Presidente da Mesa", referia o dirigente.
No mesmo artigo, é ainda dado destaque à resposta às declarações de Rui Alves. Através de comunicado, no qual o DIÁRIO apresentou na íntegra, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional, pela voz do seu presidente, Valentim Loureiro, veio esclarecer que recebeu, a 27 de Julho de 2006, por fax, uma declaração de subscrição do Nacional à lista por si encabeçada para a Mesa da Assembleia Geral da Liga. Valentim Loureiro afirmava assim que o documento, cuja cópia disponibilizou, estava assinado pelo presidente do Nacional e que a veracidade da assinatura nunca tinha sido anteriormente posta em causa. Nesse sentido, considerou que a contestação da autenticidade da assinatura, nesta altura, era "no mínimo", de lamentar.