Guarda Costeira de Taiwan visitará Filipinas na primeira missão em décadas
Aproximação entre Taiwan e Filipinas ocorre num período de deterioração das relações entre Manila e Pequim
A Guarda Costeira de Taiwan planeia enviar vários navios às Filipinas no próximo ano, naquela que será a primeira missão deste tipo em mais de meio século, noticiou hoje o jornal local Liberty Times.
A deslocação, cujo financiamento consta da proposta de orçamento do Governo para 2027, deverá realizar-se em outubro e prolongar-se durante oito dias, segundo o diário, de tendência soberanista e próximo do Partido Democrático Progressista (DPP), atualmente no poder em Taiwan.
A missão deverá envolver cerca de uma centena de pessoas, entre agentes da Guarda Costeira e estudantes, que participarão em intercâmbios com representantes filipinos sobre "questões de segurança não tradicional", incluindo operações de busca e salvamento no mar e combate à criminalidade marítima.
Segundo o Liberty Times, a Marinha taiwanesa visitou as Filipinas em várias ocasiões desde 1953, no âmbito de missões de instrução e boa vontade, tendo a última ocorrido em 1974.
Um ano depois, Manila rompeu relações diplomáticas com Taipé e estabeleceu relações oficiais com Pequim.
A Guarda Costeira de Taiwan, que ainda não se pronunciou publicamente sobre a deslocação prevista para 2027, confirmou na quarta-feira a doação de uma das suas embarcações às Filipinas e comprometeu-se a continuar a "intensificar a cooperação e os intercâmbios" com o arquipélago nas áreas da investigação marítima e da ajuda humanitária.
Apesar da ausência de relações diplomáticas, Taipé e Manila estreitaram os contactos nos últimos anos, num contexto de crescente pressão de Pequim sobre Taiwan e de disputas entre China e Filipinas no mar do Sul da China.
A China, que reivindica Taiwan como parte do seu território, intensificou nos últimos anos a atividade militar em torno da ilha, ao mesmo tempo que mantém disputas territoriais com Manila sobre vários atóis e recifes no mar do Sul da China.
A aproximação entre Taiwan e Filipinas ocorre também num período de deterioração das relações entre Manila e Pequim desde a chegada ao poder, em 2022, do Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., que reforçou a aliança militar com os Estados Unidos.
Marcos afirmou, em agosto de 2025, que uma invasão chinesa de Taiwan arrastaria as Filipinas para o conflito "contra a sua vontade".
Mais recentemente, o chefe de Estado filipino adotou um tom mais cauteloso, afirmando que Manila não permitiria que o território filipino fosse utilizado para lançar ataques em caso de guerra no estreito de Taiwan.