Chega alerta que vinha do Estreito pode desaparecer “numa década”
Hugo Nunes critica política agrícola do Governo Regional e defende mais apoios aos produtores, seguro agrícola e investimento na rede de rega
Hugo Nunes, do CHEGA, deixou, este sábado, duras críticas à política agrícola do Governo Regional, alertando que a vinha tradicional do Estreito de Câmara de Lobos corre o risco de desaparecer “numa década” se não forem criados incentivos capazes de garantir rendimento aos produtores e assegurar a renovação geracional.
Numa intervenção por ocasião da Festa das Vindimas, o dirigente considera que o evento constitui um momento importante de celebração da tradição madeirense, mas não deve servir para esconder os problemas que continuam a afectar o sector primário.
Albuquerque afasta "desgraças" na viticultura e minimiza pressão imobiliária no Estreito
A tradicional apanha da uva que assinala a Festa das Vindimas teve, este ano, um cenário diferente. O habitual terreno agrícola deu lugar a um estaleiro onde nascerá um novo empreendimento habitacional privado, um reflexo visível da crescente pressão imobiliária sobre os solos vitícolas da Região Autónoma. <br>Confrontado pelos jornalistas com esta realidade e com a perda de espaço para as vinhas, o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, recusou cenários alarmistas.
Entre as principais críticas está o rendimento obtido pelos viticultores. Hugo Nunes sustenta que, apesar de o Vinho Madeira ser vendido internacionalmente como um produto de elevado valor, os produtores recebem apenas uma pequena parte dessa cadeia económica.
O responsável chama também a atenção para a dureza do trabalho na vinha, desenvolvido muitas vezes em minifúndios e poios íngremes, onde a mecanização é reduzida e os custos de produção têm vindo a aumentar.
Mais apoios e seguro agrícola
Hugo Nunes considera que os apoios públicos por quilo de uva estão desactualizados face ao aumento dos custos com adubos, produtos fitossanitários, materiais e mão-de-obra. Defende, por isso, uma revisão em alta dos apoios à vindima e maior rapidez no pagamento das verbas aos agricultores.
O CHEGA propõe ainda a criação de um mecanismo regional de seguro agrícola com comparticipação pública, de forma a proteger os produtores perante prejuízos e fenómenos meteorológicos adversos.
Hugo Nunes alerta também para o envelhecimento dos agricultores e para a necessidade de criar incentivos fiscais e apoios à sucessão familiar, considerando que a manutenção da vinha depende da capacidade de atrair novas gerações para a actividade.
Críticas à gestão da água
A gestão da água de rega é outro dos pontos levantados pelo CHEGA. Hugo Nunes critica os problemas de abastecimento e de caudal no Estreito e em Câmara de Lobos, considerando que estas dificuldades colocam em risco as colheitas nos períodos em que as vinhas mais necessitam de água.
O dirigente acusa ainda o Governo Regional e a ARM de anunciarem investimentos sem que os problemas estruturais da rede fiquem resolvidos.
Entre as soluções propostas está a utilização de fundos europeus para impermeabilizar levadas tradicionais, criar reservatórios em altitude e reduzir as perdas de água.
Defender a agricultura regional não é fazer discursos bonitos em palcos de festa; é garantir água no poio, preço justo no cesto e seguro no momento da tempestade.