Chanceler promete manter coligação após derrotas eleitorais na Alemanha
O chanceler alemão, Friedrich Merz, prometeu hoje manter a coligação governamental com os sociais-democratas, afirmando que está em causa o "futuro democrático" da Alemanha após as derrotas dos conservadores nas eleições regionais de domingo.
"Estamos determinados, em conjunto, a estar à altura dos desafios históricos que o nosso país enfrenta. Trata-se, nada mais nada menos, do futuro democrático do nosso país", declarou Merz aos jornalistas.
O líder democrata-cristão, que governa há 16 meses em coligação com a União Social-Cristã (CSU) e o Partido Social-Democrata (SPD), reafirmou a intenção de prosseguir as reformas económicas e sociais, apesar dos resultados eleitorais.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a Alternativa para a Alemanha (AfD, extrema-direita) venceu com 38,2% dos votos, seguida do SPD, com 35,5%. A CDU obteve apenas 4,9%, ficando abaixo do limiar de 5% necessário para entrar no parlamento regional, pela primeira vez na sua história.
Em Berlim, o partido A Esquerda (Die Linke) foi o mais votado, com 25,7%, seguido da CDU, com 18,8%, e da AfD, com 16,3%. Os Verdes alcançaram 14,3% e o SPD ficou-se pelos 12,1%, deixando a coligação entre democratas-cristãos e sociais-democratas sem maioria na capital.
Os resultados constituíram um duplo revés para os partidos do Governo federal: a CDU perdeu a representação parlamentar em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e a coligação com o SPD deixou de reunir condições para continuar a governar Berlim com a mesma maioria.
O chanceler reuniu-se com a direção do partido e com os oito chefes de governos regionais democratas-cristãos, que não lhe retiraram a confiança.
Segundo a revista Stern, os dirigentes regionais voltaram, porém, a reunir-se separadamente durante mais de duas horas, sem a presença de Merz.
Entre as reformas que o Governo pretende manter está o fim da possibilidade de reforma antecipada aos 63 anos, sem penalização, para trabalhadores com 45 anos de contribuições, proposta contestada por três chefes de governos regionais do leste alemão.
O porta-voz adjunto do Governo, Sebastian Hille, assegurou hoje que o executivo mantém "absolutamente" a capacidade de atuação e afastou a hipótese de os resultados eleitorais comprometerem o calendário das reformas.
Hille reconheceu que existem vozes no SPD favoráveis a ajustamentos, mas insistiu que isso não significa que o Governo vá "questionar todo o rumo das reformas".