"Não podemos falar em valorização do pêro sem falar das condições de quem o produz", defende o JPP
O Juntos Pelo Povo (JPP) associou-se à 41.ª Festa do Pêro da Ponta do Pargo, destacando a importância desta produção para a agricultura, a economia local e a identidade da zona oeste da Madeira.
Porfírio Santos, deputado municipal do JPP na Calheta, aproveitou a ocasião para chamar a atenção para as dificuldades que os produtores enfrentam para manter e recuperar os seus pomares.
“Não podemos falar em valorização do pêro sem falar das condições de quem o produz”, afirmou, apontando os elevados custos de produção, as dificuldades no acesso à água de rega, os prejuízos provocados pelos incêndios e os constrangimentos no escoamento da produção.
Para o JPP, é necessário que o apoio público passe das declarações para medidas concretas, nomeadamente através da recuperação dos pomares afectados, incentivo a novas plantações, melhoria das condições de rega e criação de melhores mecanismos de valorização e comercialização do produto.
“Os agricultores não podem ficar sozinhos perante estas dificuldades. É preciso garantir condições para que possam continuar a produzir e investir”, defendeu Porfírio Santos.
Segundo um comunicado, o deputado municipal considera que a agricultura familiar desempenha um papel fundamental na preservação da paisagem e das tradições agrícolas, mas precisa de condições que permitam a sua continuidade.
“Valorizar o Pêro da Ponta do Pargo é valorizar também o trabalho de quem mantém esta cultura viva”, afirmou.
“Mas tão importante como produzir é garantir o escoamento da produção. Neste aspeto, importa reconhecer o importante papel da Quinta Pedagógica dos Prazeres, que ao longo dos anos tem assegurado o aproveitamento do pêro através da produção de compotas, doces e sidras, constituindo uma parceria fundamental para os agricultores da zona oeste. Contudo, esta importante via de escoamento está hoje em risco devido ao incumprimento dos compromissos assumidos pelo Governo Regional e pelo Município da Calheta, que anunciaram em 2022 um investimento de cerca de um milhão de euros para a reabilitação da Quinta, investimento que nunca saiu do papel".
O JPP deixa, assim, um alerta para a necessidade de uma estratégia de apoio continuado aos produtores, garantindo que um dos produtos mais emblemáticos da zona oeste possa continuar a ter expressão na agricultura e na economia local.
Porfírio Santos defende que a 41.ª Festa do Pêro deve ser não apenas uma celebração da produção existente, mas também um momento para reforçar o compromisso com o futuro desta cultura agrícola.