ADN Madeira acusa Estado de "desinvestimento" nas forças de segurança
O ADN Madeira vem considerar, através de comunicado, que o reforço de meios anunciado para a Polícia de Segurança Pública (PSP) na Região não resolve as carências estruturais de efectivos e acusa o Estado de ter deixado os polícias "pagar a diferença" de décadas de desinvestimento nas forças de segurança.
Num balanço da visita de três dias do ministro da Administração Interna à Madeira, o partido destaca o reconhecimento, por parte de Luís Neves, de que Portugal enfrenta as consequências de "décadas de desinvestimento" no sector. Para o ADN Madeira, contudo, é necessário identificar quem tem suportado essa falta de investimento.
"Quando o Estado não recruta a tempo, é o polícia que trabalha mais. Quando faltam efectivos, é o polícia que acumula serviço", sustenta a estrutura regional liderada por Maíza Fernandes. "O Estado não pode corrigir décadas de desinvestimento gastando os polícias que ainda tem".
O partido questiona ainda o impacto efectivo do reforço de cerca de 30 polícias anunciado para a Madeira, salientando que estes elementos respondem às necessidades de controlo de fronteiras no Aeroporto da Madeira. "30 polícias no aeroporto não são automaticamente 30 polícias adicionais no patrulhamento das ruas", afirma, recordando que o próprio Comando Regional já apontou para a necessidade de mais cerca de 30 elementos apenas para recuperar o efectivo existente há quatro ou cinco anos.
Outra preocupação prende-se com a acumulação de serviço normal e remunerado. O ADN Madeira alerta para situações em que um polícia pode cumprir oito ou nove horas de serviço regular e realizar depois mais quatro, cinco, seis ou sete horas de serviço remunerado. "Treze, catorze, quinze ou dezasseis horas não são apenas um problema do polícia", diz, salientando que o cansaço pode afectar a capacidade de resposta e, consequentemente, a segurança dos cidadãos.
O partido defende também maior protecção para os polícias que são cuidadores de familiares dependentes e questiona o actual modelo de pré-aposentação, condicionado por contingentes anuais.
Apesar de reconhecer como positivos os investimentos em viaturas, equipamentos e instalações, o ADN Madeira sublinha que "uma esquadra nova não cria um polícia" e "uma viatura nova não descansa quem a conduz".
A estrutura regional quer, por isso, respostas do ministro da Administração Interna sobre o número de polícias que serão efectivamente destinados ao patrulhamento territorial, a acumulação de serviços, a utilização da "necessidade imperiosa", a protecção dos cuidadores, a pré-aposentação e o eventual reforço da fiscalização rodoviária.
"O ministro ouviu os profissionais. Agora que os ouviu, tem de responder", conclui o ADN Madeira.