Parlamento Europeu defende acção coordenada e fundos para prevenção dos incêndios
Os eurodeputados pediram hoje maior investimento da UE na prevenção de incêndios florestais, propondo a criação de um fundo europeu dedicado aos desastres climáticos que permita preparar os territórios e ações de combate coordenadas.
Num debate dedicado às lições do verão, em que várias ondas de calor criaram uma das temporadas de incêndios florestais mais devastadoras na Europa, com mais de 700 mil hectares consumidos, os eurodeputados sublinharam as mudanças dos últimos anos e a necessidade de alterar respostas.
"O verão de 2026 deixou uma mensagem clara: as ondas de calor e a seca não acontecem apenas no sul da Europa. É possível constatar que houve muitas regiões devastadas, vidas perdidas", disse o eurodeputado português Paulo Nascimento (PSD) na intervenção no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França.
"Precisamos de mais investimentos na prevenção e de um fundo específico destinado à proteção civil, para que o possamos acionar rapidamente, também nas regiões mais periféricas, incluindo os Açores e as Canárias", defendeu.
A criação de um fundo europeu dedicado aos desastres climáticos deve, segundo os eurodeputados, ter um orçamento próprio para prevenção e preparação dos territórios e uma gestão coordenada com alargamento de meios partilhados.
O investimento em prevenção e sistemas de alerta evitará gastos muito maiores em recuperação e fundos de emergência pós-catástrofe, defenderam.
"É preciso melhorar a preparação e a resiliência coletivas a grandes desastres, perigos e eventos extremos", admitiu o ministro de Estado para os Assuntos Europeus e a Defesa da Irlanda, Thomas Byrne, que representa o Conselho da União Europeia durante a presidência semestral exercida pelo país.
Byrne referiu que o Conselho recomendou recentemente a revisão do Mecanismo de Proteção Civil da UE, sublinhando que esta é "uma oportunidade crucial" para reforçar a preparação, a resiliência e a resposta do bloco face às consequências das alterações climáticas.
"É fundamental que tomemos medidas imediatas e decisivas e que nos comprometamos a trabalhar em conjunto neste objetivo comum", acrescentou.
"Sabemos que existem lacunas entre os planos nacionais de adaptação e a sua implementação e, por isso, aguardamos com expectativa a proposta da Comissão para um quadro da UE para a resiliência, este outono", referiu.
O verão deste ano foi marcado por uma das temporadas de incêndios florestais mais devastadoras da história recente da Europa.
Até ao início deste mês, os incêndios florestais registados na UE consumiram cerca de 700 mil hectares enquanto rios que constituem vias navegáveis europeias, como o Danúbio e o Reno, apresentaram níveis de água historicamente baixos.
A Espanha perdeu mais de 150 mil hectares de vegetação, com os fogos a chegar perto de cidades populosas e ameaçar locais históricos, enquanto em França, onde foi registado o verão mais quente da sua história, arderam mais de 116 mil hectares.
A Bélgica enfrentou o pior incêndio florestal do último século na região das Hautes Fagnes, e na Grécia, os fogos paralisaram o turismo em áreas costeiras e algumas ilhas.
Em Portugal, embora se tenha registado uma área ardida consideravelmente menor do que em anos anteriores, houve fogos muito violentos, tendo ardido quase 70 mil hectares de território.