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Madeira

Dezenas dormem no Aeroporto do Porto Santo após noite caótica

Ilha Dourada recebeu oito ligações e dezenas de passageiros acabaram por passar a noite em colchões na zona de embarque

Foto Eugénio Perregil
Foto Eugénio Perregil

Problemas com a Binter deixaram também passageiros das ligações inter-ilhas em terra.

Dezenas de passageiros foram obrigados a passar a noite no Aeroporto do Porto Santo, alguns deles a dormir em colchões disponibilizados pela ANA, depois de uma noite que fica marcada pelos diversos aviões que não conseguiram aterrar no Aeroporto da Madeira.

A falta de capacidade hoteleira disponível na Ilha Dourada - com hotéis lotados e sem capacidade para albergar estes passageiros - levou a que muitos permanecessem no terminal durante a madrugada, numa consequência directa dos fortes constrangimentos que afectaram a operação aérea na Madeira.

Vento deixa 17 chegadas e 14 partidas canceladas no Aeroporto da Madeira

A operação aérea foi fortemente condicionada ao longo de sábado. Houve também voos divergidos para Porto Santo, Canárias e Lisboa. Para este domingo prevê-se uma ligeira melhoria das condições, mas o vento deverá continuar a condicionar a operação já amanhã.

Entre os passageiros que pernoitaram no aeroporto encontravam-se muitos provenientes de voos da easyJet desviados para o Porto Santo. Perante a impossibilidade de seguir viagem para a Madeira, foram dadas alternativas, mas poucos terão optado por regressar no próprio avião, permanecendo na ilha à espera de uma solução. Seja por via aérea, ou marítima.

O Porto Santo acabou, aliás, por funcionar como um dos principais aeroportos alternativos durante a tarde e a noite de sábado. Dos 19 voos com destino a Santa Cruz que divergiram nesse dia, oito foram encaminhados para a Ilha Dourada.

Oito foram parar ao Porto Santo

O primeiro problema do período mais crítico surgiu ainda durante a tarde, com uma ligação da easyJet proveniente de Lisboa. A situação agravou-se a partir das 17h40, quando começaram a se suceder os constrangimentos.

Genebra, Bruxelas, Nice, Londres, Amesterdão, Lanzarote, Lisboa, Lyon, Manchester, Katowice, Gran Canária, Varsóvia, Porto, Paris e Edimburgo estiveram entre as origens das ligações que não conseguiram completar a viagem até ao Aeroporto da Madeira.

Madeira tem 115 polícias no controlo fronteiriço dos aeroportos

A recolha de dados biométricos a 100% dos passageiros provenientes de fora do espaço Schengen está a decorrer sem constrangimentos de maior nos aeroportos portugueses, segundo a PSP, que revela que a Madeira dispõe actualmente de 115 polícias afectos à segurança aeroportuária e ao controlo fronteiriço.

Além dos oito voos encaminhados para o Porto Santo, quatro divergiram para Lisboa, quatro para Gran Canária, dois para Tenerife Sul e um outro para o Porto.

Já durante a madrugada deste domingo, os problemas continuaram. Um dos aparelhos que se encontrava no Porto Santo voltou a tentar chegar à Madeira, sem sucesso, enquanto o voo TP1695, proveniente de Lisboa e previsto para as 00h10, também acabou por divergir.

Binter deixa passageiros dos dois lados em terra

Um dos casos com maior impacto foi o da Binter. O aparelho da companhia que fazia uma ligação proveniente das Ilhas Canárias acabou por divergir para o Porto Santo, transportando consigo os passageiros que tinham a Madeira como destino final.

O problema ganhou depois um efeito em catadupa. Segundo informação recolhida pelo DIÁRIO, era esse aparelho que deveria assegurar posteriormente a operação inter-ilhas, ficando comprometida a ligação entre Madeira e Porto Santo.

Muitos passageiros optaram por ficar no Porto Santo

Testemunhos recolhidos junto de passageiros dão conta do impacto directo que o vento forte está a ter em quem viaja de e para a Madeira, num fim de semana marcado por 8 voos divergidos e 20 cancelamentos (chegadas e partidas), atrasos generalizados e também limitações na travessia marítima do Porto Santo, uma vez que não haverá vagas a bordo do 'Lobo Marinho'.

O resultado foi a acumulação de diferentes passageiros: os provenientes das Canárias, impossibilitados de chegar à Madeira; os passageiros que estavam no Porto Santo e pretendiam viajar para o Funchal; e os que, na Madeira, tinham como destino a Ilha Dourada.

Rajadas chegaram aos 86 km/h no aeroporto

Os dados do IPMA relativos à estação meteorológica de Santa Catarina mostram um agravamento significativo do vento ao longo da tarde e início da noite de sábado. Depois de rajadas entre os 54 e os 69 km/h durante grande parte do dia, o vento intensificou-se a partir das 20h00.

A essa hora o vento médio atingia 47,2 km/h, com rajadas de 73 km/h. Uma hora depois foi registado o valor mais elevado do período: 86 km/h de rajada, com vento médio de 46,4 km/h. Pelas 22h00, as rajadas continuavam nos 81 km/h.

O vento manteve-se forte durante a madrugada, predominantemente de norte/noroeste, com rajadas que chegaram repetidamente aos 70 km/h. Só ao início da manhã deste domingo se verificou alguma redução, embora às 8h00 ainda fossem registadas rajadas de 59 km/h.