DNOTICIAS.PT
Madeira

ADN critica aumento do custo de vida apesar do crescimento do turismo

Partido defende mais apoios à energia e aos combustíveis, habitação acessível e um índice regional do custo de vida

None

O ADN Madeira considera que o crescimento da actividade turística na Região não está a traduzir-se numa melhoria equivalente das condições de vida das famílias, apontando para a evolução dos preços da habitação, dos combustíveis e de outros bens e serviços.

Num comunicado assinado por Eduardo Quintal, o partido refere que a inflação homóloga regional se situava nos 4,1%, acima dos 3,3% nacionais, e aponta aumentos de 14,2% nos produtos energéticos e de 8% nos transportes. O ADN acrescenta que está prevista uma nova subida dos combustíveis.

Em sentido inverso, os proveitos do alojamento turístico atingiram 534,6 milhões de euros entre Janeiro e Julho, mais 7,8% do que no mesmo período de 2025, segundo os dados citados pelo partido.

Na habitação, o ADN destaca que a renda mediana dos novos contratos chegou, no primeiro trimestre de 2026, aos 11,97 euros por metro quadrado na Madeira, mais 16% do que um ano antes. No Funchal, o valor atingiu 13,65 euros.

O partido refere ainda que a remuneração bruta média mensal foi de 1.748 euros no segundo trimestre, mas recuou 0,3% em termos reais, o que, segundo o ADN, representa uma perda de poder de compra.

Quanto à compra de casa, o preço mediano das transacções atingiu 2.863 euros por metro quadrado na Madeira, contra 2.337 euros no conjunto do País, enquanto no Funchal chegou aos 3.601 euros, adianta o partido.

Para o ADN Madeira, estes indicadores evidenciam um desfasamento entre os resultados económicos e turísticos e a realidade das famílias. O partido afirma que reconhece a existência de medidas públicas na habitação e de instrumentos regionais de mitigação dos combustíveis, mas defende que “medidas não são sinónimo de resultados”.

Entre as propostas apresentadas está um reforço dos instrumentos regionais para amortecer o custo dos combustíveis e da energia, a aceleração da oferta de habitação permanente e acessível e a criação de um índice regional do custo de vida.

O ADN defende também um acompanhamento da relação entre turismo, habitação, mobilidade e capacidade das infraestruturas, considerando que a insularidade e, no caso do Porto Santo, a dupla insularidade, agravam os custos suportados pelas famílias.

“Não basta a Madeira crescer nas estatísticas. É preciso que os madeirenses consigam viver melhor na Madeira”, conclui o partido.