Civis deslocados no Iémen somam 46.000 e aumentam "hora a hora"
O agravamento da guerra no Iémen nos últimos dias causou 46.000 deslocados, anunciou hoje a Organização Internacional para as Migrações (OIM), alertando que os números aumentam "hora a hora".
As deslocações concentram-se especialmente nas províncias de Hodeida e Taiz, na costa ocidental, registando-se ao mesmo tempo chegadas a Lahj, Áden e Ibb, a sul e a leste da zona de conflito, precisou a agência das Nações Unidas.
O balanço anterior da OIM era inferior a 20.000 pessoas forçadas a abandonar o local habitual de residência nos últimos dias, devido à intensificação dos combates entre as forças governamentais e os rebeldes huthis apoiados pelo Irão.
"Aldeias inteiras ficaram vazias em Maqbanah, Jabal Habashi e Al Ma'afer à medida que os confrontos se aproximam de zonas povoadas", alertou a OIM num comunicado, citado pela agência espanhola EFE.
Os números foram divulgados em Genebra, Suíça, numa altura em que as milícias xiitas huthis continuam a avançar sobre posições estratégicas no Mar Vermelho, uma rota fundamental para o comércio marítimo global.
O número de deslocados "aumenta de forma alarmante de hora a hora", disse a OIM, também citada pela agência francesa AFP.
A OIM disse ter recebido relatos de que a estrada entre Moka e Taiz, uma via de abastecimento essencial, tinha sido cortada, e que as comunidades de acolhimento locais estavam sujeitas a uma pressão cada vez maior.
Durante a noite de quinta-feira para hoje, muitas pessoas abandonaram a cidade de Moka com os seus pertences, acrescentou a OIM.
"À medida que os combates se alastram, torna-se cada vez mais difícil chegar às pessoas que precisam de assistência vital", advertiu a diretora-geral da OIM, Amy Pope, exigindo um acesso seguro e sem obstáculos às populações.
Todas as partes em conflito "devem proteger a população civil e o pessoal humanitário e garantir a segurança dos mantimentos, veículos e instalações dos quais dependemos para prestar ajuda", acrescentou.
Os rebeldes lançaram na semana passada uma ofensiva para controlar o estreito de Bab al-Mandeb, usado por petroleiros e navios comerciais oriundos da Ásia para aceder ao mar Vermelho, ao canal do Suez e ao Mediterrâneo.
A televisão Al-Jazeera do Qatar noticiou hoje que os rebeldes pró-Irão já controlam toda a linha costeira na zona do estreito, depois de terem tomado na quinta-feira a cidade portaria de Moka.
O canal Al-Masirah, afiliado aos huthis, informou que as forças sauditas, que apoiam o Governo do Iémen reconhecido internacionalmente, realizaram hoje dois ataques aéreos contra o aeroporto de Moka, de acordo com a AFP.
Desconhece-se ainda eventuais consequências dos ataques.
O avanço dos huthis representa mais uma ameaça à navegação comercial numa importante rota alternativa ao estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão desde que foi atacado pelos Estados Unidos e por Israel no final de fevereiro.
Um membro do gabinete político dos huthis disse à agência do norte-americana AP que os rebeldes estavam apenas a responder a ataques sauditas.
"Não há motivo para preocupação internacional", afirmou Hazam al-Assad.
"As nossas forças dispõem de uma lista de alvos importantes", caso Riade continue com os ataques, acrescentou.