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O tempo escasseia e as dificuldades aumentam para os socorristas no Nepal

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FOTO NARENDRA SHRESTHA/EPA

Atolados num mar de lama cinzenta e pegajosa, por vezes até à cintura, os socorristas continuam a escavar à procura de sobreviventes cada vez mais improváveis da enxurrada catastrófica que atingiu o norte do Nepal.

"As dificuldades são consideráveis", resumiu o subchefe da equipa de resgate para o distrito afetado de Nuwakot, o polícia E. Hawadi, enumerando a longa lista de desafios com que os socorristas se deparam ao sexto dia de trabalhos.

"Já não há estradas. Foram todas arrastadas pela vaga, muitos setores continuam totalmente inacessíveis", começou por dizer à agência francesa AFP.

Em alguns pontos do vale, o nível da água permanece muito elevado.

"É muito complicado para os meus homens, a região continua inundada ou transformada num pântano", prosseguiu o oficial.

A região isolada dos Himalaias, na fronteira ente o Nepal e a região chinesa do Tibete, foi devastada por uma enxurrada em 26 de agosto.

Os especialistas atribuem a catástrofe ao colapso de um glaciar, cujas águas e blocos de gelo desceram as encostas, aumentando subitamente o caudal de um rio até ali calmo e arrastando tudo à sua passagem.

"Os danos causados em estradas, pontes, habitações e infraestruturas essenciais isolaram consideravelmente as populações afetadas, o que complica as operações de socorro", destacou o Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas.

As autoridades do Nepal e da China recuperaram até hoje mais de 900 corpos e continuavam sem notícias de quase 5.000 pessoas, incluindo centenas de turistas e peregrinos estrangeiros, incluindo pelo menos três portugueses.

O Nepal não registava uma catástrofe tão mortífera desde o sismo de 2015, que provocou 9.000 mortos.

"Embora a tarefa continue a ser imensa devido ao mau tempo, ao terreno difícil e aos riscos persistentes, avançamos com determinação para proteger a vida dos cidadãos", declarou o primeiro-ministro, Balendra Shah, nas redes sociais.

Seis dias após a passagem da vaga, o tempo escasseia.

Mas, num ambiente agora instável, as equipas de resgate só podem contar com helicópteros e drones para se aproximarem das zonas mais isoladas ou aí entregar mantimentos e material.

"Assim que os meus homens são desembarcados, têm de caminhar longas distâncias", disse o superintendente Hawadi.

"Os helicópteros não podem permanecer no local porque não temos suficientes e precisamos deles urgentemente noutros pontos", explicou.

Para limitar a duração das rotações, as autoridades instalaram o quartel-general de campanha dos socorros numa caserna militar em Bidur, uma pequena localidade nas margens do rio Trishuli.

"Falta-nos também mão-de-obra", lamentou o oficial da polícia, apesar de o Governo ter dito que tinha mobilizado mais de 15.000 efetivos para as equipas.

O material escasseia igualmente, de acordo com Hawadi.

"Precisamos de especialistas para intervir em túneis, (...) de frigoríficos para conservar os corpos, de apoio médico-legal para nos ajudar a identificá-los", detalhou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Lok Bahadur Poudel Chhetri.

Além disso, os detritos da vertente da montanha que se desprendeu na semana passada mantêm a ameaça constante de formação de novas retenções de água a montante.

Em várias ocasiões, as autoridades já pediram às equipas de socorro que se retirassem para locais seguros, nas zonas mais altas.

"É totalmente imprevisível. Podem ocorrer novas inundações a qualquer momento", advertiu Hawadi.

"Por isso, está fora de questão trabalhar durante a noite", acrescentou.