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Rebeldes huthis do Iémen tomam cidade no mar Vermelho

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Foto EPA

Os rebeldes xiitas huthis do Iémen tomaram hoje o controlo da cidade de Moka, no mar Vermelho, e estavam a avançar em direção ao estreito-chave de Bab el-Mandeb, disse uma fonte governamental iemenita.

Testemunhas disseram ter visto forças rebeldes a entrar na cidade portuária a "gritar morte à América, morte a Israel", noticiou a agência France-Presse (AFP).

Os avanços dos rebeldes apoiados pelo Irão seguem-se a bombardeamentos da coligação liderada pela Arábia Saudita que apoia o Governo do Iémen.

Fontes militares iemenitas disseram à agência de notícias espanhola EFE que os huthis assumiram o controlo de toda a província estratégica de Al Hudaydah (oeste), após expulsarem as tropas do Governo reconhecido internacionalmente da cidade de Hays.

Testemunhas na zona costeira contactadas pela EFE confirmaram que as forças leais ao Governo iemenita se tinham retirado de Moka em direção ao sul perante o avanço das tropas dos rebeldes.

O recuo das tropas governamentais, a confirmar-se por fontes militares, representará o avanço mais importante dos huthis em anos em direção ao estreito de Bab el-Mandeb, na foz do mar Vermelho.

O comandante das Forças de Resistência Nacional (NRF, na sigla em inglês), leais ao Governo, Tariq Saleh, disse que as unidades ao longo da costa ocidental receberam ordens para "reorganizar as fileiras e estabelecer um centro de comando alternativo num local seguro".

As declarações foram divulgadas pela televisão estatal do Iémen e constituem o primeiro comentário oficial dos militares sobre o avanço dos huthis na região, de acordo com a EFE.

A televisão Al-Jazeera do Qatar considerou que as conquistas na costa ocidental dão aos huthis "total vantagem para impedir o cruzamento de navios em Bab el-Mandeb".

"E, mais importante ainda, concede-lhes a capacidade de cortar três principais linhas de abastecimento ao Governo no sul do país", referiu.

A televisão árabe acrescentou que os dois lados têm lutado ao longo dos últimos nove dias e que os rebeldes tinham como objetivo controlar Moka e a linha costeira do mar Vermelho, tendo alcançado "uma vitória retumbante".

Em meados de agosto, as NRF admitiram que os huthis estavam a tentar transformar Bab el-Mandeb "numa situação semelhante à do estreito de Ormuz", bloqueado pelo Irão desde março, após a ofensiva israelo-americana contra Teerão.

Bab el-Mandeb liga o mar Vermelho ao golfo de Áden e constitui uma das principais passagens do comércio marítimo entre a Ásia e a Europa através do canal do Suez.

O controlo ou bloqueio da passagem pode afetar significativamente o transporte internacional de mercadorias e energia, incluindo as exportações petrolíferas sauditas.

Bab el-Mandeb ganhou ainda maior importância devido à guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão e o consequente bloqueio do estreito de Ormuz, com consequências negativas para a economia global.

O cessar-fogo de 2022 entre os rebeldes e o Governo iemenita entrou em colapso em agosto, seguindo-se uma escalada dos ataques contra posições militares e áreas controladas pelas autoridades a partir de Áden.

O conflito começou no final de 2014, quando os huthis tomaram a capital iemenita, Sana, e grandes áreas do norte e centro do país.

A Arábia Saudita interveio militarmente no ano seguinte em apoio ao Governo internacionalmente reconhecido.

A guerra causou centenas de milhares de mortos e mergulhou o Iémen, o mais pobre da península Arábica, numa grave crise humanitária.