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Madeira

Sindicato aponta falta de técnicos de farmácia no SESARAM

STSS afirma que escassez de profissionais condiciona gestão de medicamentos e levou Técnicos de Farmácia a apresentar nova escusa de responsabilidade

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Foto Shutterstock

O Sindicato dos Trabalhadores dos Serviços de Saúde (STSS) afirmou, hoje, que a falta de Técnicos de Farmácia nos Serviços Farmacêuticos do Hospital Dr. Nélio Mendonça está a ter consequências na gestão dos medicamentos e a obrigar ao recurso a horas extraordinárias.

Em comunicado, o sindicato afirma que a “carência de profissionais arrasta-se há cerca de 12 meses” e que a situação se agravou com a saída definitiva de trabalhadores, baixas médicas prolongadas e a necessidade de afectar Técnicos de Farmácia a novas valências, designadamente à Unidade de Preparação de Citotóxicos.

O STSS considera que o resultado é “uma equipa insuficiente para responder, em condições adequadas, ao volume e à complexidade da actividade dos Serviços Farmacêuticos”. Segundo a organização sindical, esta insuficiência tem também “um impacto económico”, por condicionar tarefas como o controlo dos prazos de validade, a gestão de stocks de segurança e a preparação das requisições dos diferentes serviços.

O sindicato sustenta que, quando estes procedimentos não são assegurados “com a regularidade e o rigor necessários”, aumenta o risco de “perdas e desperdício de medicamentos” e torna-se mais difícil garantir uma gestão eficiente dos stocks e dos recursos financeiros associados à farmácia hospitalar.

A resposta dos Serviços Farmacêuticos, segundo o STSS, tem sido assegurada através de uma “crescente sobrecarga das equipas” e do recurso a horas extraordinárias. O sindicato considera que esta solução permite responder às necessidades imediatas, mas “não resolve a falta estrutural de Técnicos de Farmácia” e representa um custo acrescido para o SESARAM.

A organização sindical afirma ainda que a escassez de profissionais está a condicionar o circuito do medicamento. Segundo o comunicado, “uma parte significativa dos medicamentos não consegue ser distribuída através do sistema de dose unitária” e existem “constrangimentos na preparação atempada das requisições diárias e semanais” destinadas aos serviços de internamento e de urgência.

O STSS aponta particularmente para a área de manipulação complexa, referindo que o aumento do número de utentes integrados em protocolos terapêuticos com anticorpos monoclonais “aumentou substancialmente a exigência” sobre este sector, “sem que tenha existido um reforço proporcional dos recursos humanos”.

Neste contexto, os profissionais dizem alertar para um “risco acrescido de lapsos, omissões ou erros na dispensa de medicamentos”, que associam à falta de pessoal, à sobrecarga laboral e à necessidade de responder com rapidez às solicitações de todo o hospital.

Perante esta situação, os Técnicos de Farmácia entregaram, segundo o sindicato, uma nova declaração de escusa de responsabilidade ao Conselho de Administração do SESARAM, no passado dia 28 de Agosto. O STSS afirma que os profissionais mantêm a disponibilidade para assegurar os cuidados necessários aos utentes, mas recusam assumir individualmente “as consequências de insuficiências de recursos humanos” que têm sido identificadas.

O sindicato exige ao Conselho de Administração do SESARAM o reforço dos quadros de Técnicos de Farmácia e uma organização dos serviços que permita assegurar, defende, “a segurança dos utentes, a qualidade do circuito do medicamento e uma gestão eficiente dos recursos públicos”.

“Manter uma farmácia hospitalar a funcionar através de horas extraordinárias, com dificuldades no controlo de stocks e validades e com profissionais sujeitos a uma sobrecarga permanente não constitui uma solução”, conclui o STSS, que considera que a falta de Técnicos de Farmácia representa já “desperdício, custos acrescidos e risco para a capacidade de resposta do SESARAM”.