Levadias obrigam a içar bandeira vermelha na Praia Formosa
Uma levadia surpreendeu, esta tarde, os banhistas que se encontravam no Complexo Balnear da Barreirinha. Uma onda galgou o pontão e invadiu a zona onde permaneciam várias pessoas, obrigando-as a procurar rapidamente um ponto mais elevado e fora do alcance da água.
O episódio ilustra a imprevisibilidade das levadias que, nos últimos dias, têm obrigado a reforçar as medidas de segurança nas zonas balneares do Funchal. Esta terça-feira, a bandeira vermelha foi içada na Praia Formosa. Já na tarde de segunda-feira, a Ponta Gorda também chegou a estar interdita a banhos devido às condições do mar.
À TSF-M, Marília Andrade, administradora da Frente MarFunchal, explica que estes fenómenos são conhecidos por quem trabalha diariamente nas praias, mas podem surpreender os banhistas devido à rapidez com que surgem.
“Podemos ter períodos de calmaria de uma hora, uma hora e meia ou duas horas e, de repente, surgir uma vaga mais forte, capaz de inundar os solários e arrastar pessoas. Depois, tudo volta ao normal, como se nada tivesse acontecido”, descreve.
Perante os primeiros sinais de alteração das condições marítimas, a bandeira passa geralmente para amarelo e os nadadores-salvadores reforçam a vigilância. Se a intensidade da levadia representar um risco efectivo, é içada a bandeira vermelha e os acessos ao mar são encerrados.
Foi esse o procedimento adoptado na Ponta Gorda e na Praia Formosa. Na Barreirinha, a resposta pode variar em função da exposição de cada zona, da direcção da corrente e da ondulação. Em determinadas circunstâncias, um acesso pode ser encerrado enquanto outro permanece disponível.
Marília Andrade apela aos banhistas para que respeitem as indicações dos nadadores-salvadores, mesmo quando o estado aparente do mar parece contrariar a interdição.
“Se o nadador-salvador tem uma bandeira vermelha e a pessoa olha para o mar e o vê calmo, isso não significa que existam condições de segurança”, alerta.
O principal problema está precisamente na dificuldade de prever quando chegará um novo conjunto de ondas de maior intensidade. Depois de uma ou duas vagas capazes de galgar estruturas, atingir solários ou arrastar pessoas, a prioridade passa por impedir novos acessos ao mar.
“Às vezes, as pessoas têm dificuldade em compreender por que razão o acesso esteve fechado durante uma hora sem entrar nenhuma onda. Mas nós também não sabemos quando é que elas vão chegar. Pedimos compreensão e confiança no trabalho dos nadadores-salvadores”, reforça.
Apesar dos episódios registados, a administradora da Frente MarFunchal faz um balanço positivo da época balnear. Até ao momento, não há registo de acidentes ou ferimentos graves relacionados com as levadias.
As ocorrências têm-se limitado sobretudo a banhistas cansados, pessoas com dificuldades em sair da água e pequenos arranhões provocados pela ondulação. “Está a ser um ano relativamente calmo nesse sentido”, conclui Marília Andrade.
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