Viagens a rasar os 500 euros no primeiro período das aulas
TAP é a companhia mais barata para ida em Setembro e regresso em Dezembro
“Não há passagens aéreas entre a Madeira e o continente por menos de 400 euros, para a ida dos estudantes do ensino superior.” A afirmação foi enviada ao DIÁRIO pelo leitor Jorge Freitas, que tem um filho que vai estudar, este ano, pela primeira vez na Universidade de Lisboa.
Numa altura em que muitos estudantes madeirenses preparam a deslocação para o arranque do novo ano lectivo, o DIÁRIO foi verificar os preços praticados pelas três companhias aéreas que asseguram ligações directas do Funchal a Lisboa e ao Porto. Veremos se o nosso leitor tem razão.
Para que a comparação fosse feita em condições semelhantes, estabelecemos duas datas tendo em conta o calendário académico: partida da Madeira a 4 de Setembro e regresso a 19 de Dezembro, já para as férias do Natal. Foi igualmente considerada a necessidade de transporte de bagagem, particularmente relevante para quem vai permanecer vários meses fora da Região.
O resultado da pesquisa confirma a afirmação do leitor Jorge Freitas. Não só não foi encontrada qualquer viagem de ida e volta por menos de 400 euros, como a opção mais barata disponível nas simulações realizadas pelo DIÁRIO aproxima-se dos 500 euros. Os preços encontrados variam entre 494,15 e 611,23 euros.
Lisboa apresenta as opções menos dispendiosas, salvo seja. Na TAP, um estudante que saia do Funchal a 4 de Setembro, às 21h55 e regresse de Lisboa a 19 de Dezembro, às 7h25, paga 494,15 euros. A viagem de ida custa 287,47 euros e o regresso 206,68 euros. A opção considerada inclui bagagem de mão, artigo pessoal e uma mala de porão.
É este o preço mais baixo encontrado pelo DIÁRIO entre as seis simulações realizadas e, ainda assim, fica 94,15 euros acima dos 400 euros referidos na afirmação submetida a verificação.
Na easyJet, a mesma deslocação fica por 499,94 euros. O voo EJU7622 parte do Funchal às 9h45 de 4 de Setembro, chegando a Lisboa às 11h30, enquanto o regresso, no EJU7621, acontece às 6h40 de 19 de Dezembro.
Neste caso, a ida custa 352,47 euros, dos quais 278,99 euros correspondem ao bilhete e 73,48 euros ao pacote Smart+. O regresso representa outros 147,47 euros, repartidos entre 85,99 euros da passagem e 61,48 euros do pacote. A tarifa contempla mala pequena e mala grande de cabine, lugar Up Front e Speedy Boarding, mas não inclui mala de porão. Significa isto que, considerando a necessidade de bagagem despachada para uma permanência de vários meses no Continente, o custo efectivo será superior aos 499,94 euros encontrados na pesquisa.
A Ryanair é a mais cara das três companhias na ligação a Lisboa. A partida do Funchal está marcada para as 7 horas de 4 de Setembro e o regresso para as 22h55 de 19 de Dezembro. Com a tarifa Plus, que inclui uma mala de porão de 20 quilos, a viagem de ida e volta custa 540,38 euros.
Porto descola dos 500
No caso dos estudantes que frequentam estabelecimentos de ensino superior no Porto ou noutra localidade do norte do País, a factura é ainda maior.
A TAP apresenta um preço total de 515,37 euros. A ligação do Funchal para o Porto, às 22h45 de 4 de Setembro, custa 331,47 euros, enquanto o regresso, às 12h15 de 19 de Dezembro, fica por 183,90 euros. Inclui bagagem de mão e de porão.
Na easyJet, o total encontrado é de 523,94 euros. O voo EJU6836 parte do Funchal às 21h15 de 4 de Setembro e chega ao Porto às 23h15. A viagem de ida custa 383,97 euros, somando os 312,99 euros do bilhete aos 70,98 euros do Smart+. O regresso, no EJU6835, parte do Porto às 6h30 de 19 de Dezembro e representa outros 139,97 euros.
Também aqui o pacote Smart+ inclui malas pequena e grande de cabine, lugar Up Front e Speedy Boarding, mas não mala de porão. Consequentemente, o custo real para quem necessite de despachar bagagem será superior aos 523,94 euros apresentados.
O preço mais elevado de toda a pesquisa pertence à Ryanair na ligação ao Porto. A saída do Funchal acontece às 11h25 de 4 de Setembro e o regresso está marcado para as 18h10 de 19 de Dezembro. Com a tarifa Plus e uma mala de porão de 20 quilos incluída, o total ascende a 611,23 euros.
Feitas as contas às seis simulações, a média dos preços encontrados é de 530,84 euros. Entre a opção mais barata, os 494,15 euros da TAP para Lisboa, e a mais cara, os 611,23 euros da Ryanair para o Porto, existe uma diferença de 117,08 euros. Mesmo antes de acrescentar uma mala de porão aos preços da easyJet, todas as opções ultrapassam com margem os 400 euros.
Apoio já não tem tecto máximo
Há uma alteração importante no Mecanismo de Continuidade
Territorial, que substituiu o anterior Subsídio Social de Mobilidade. A Lei n.º
23/2026, em vigor desde 6 de Junho, eliminou o limite máximo do custo elegível
do bilhete. A legislação estabelece que o apoio corresponde à diferença entre o
custo elegível da viagem e o montante suportado pelo passageiro, sem um limite
máximo para aquele custo.
Para os estudantes deslocados residentes na Madeira, o valor máximo a suportar
numa viagem de ida e volta elegível é de 59 euros.
Isto significa que a subida dos preços acima dos antigos limites não retira, por si só, o direito ao apoio. Tomando como referência os valores encontrados pelo DIÁRIO e pressupondo que todo o preço apresentado constitui custo elegível, um estudante que compre a viagem TAP Funchal-Lisboa por 494,15 euros terá uma comparticipação de 435,15 euros, ficando a seu cargo 59 euros.
Na easyJet para Lisboa, aos 499,94 euros corresponderiam 440,94 euros de apoio, enquanto os 540,38 euros da Ryanair representariam uma comparticipação de 481,38 euros.
Para o Porto, os 515,37 euros encontrados na TAP corresponderiam a um apoio de 456,37 euros; os 523,94 euros da easyJet, a 464,94 euros; e, no caso mais caro de toda a pesquisa, os 611,23 euros da Ryanair permitiriam uma comparticipação de 552,23 euros. Em qualquer dos casos, e desde que a totalidade do preço seja considerada elegível, o estudante suportaria 59 euros.
Quanto à afirmação enviada ao DIÁRIO, os números não deixam margem para dúvidas. Para uma partida da Madeira a 4 de Setembro e regresso a 19 de Dezembro, não foi encontrada nas ligações directas a Lisboa e ao Porto qualquer opção abaixo dos 400 euros. A mais barata custa 494,15 euros e a mais cara chega aos 611,23 euros. E dois dos preços pesquisados, ambos da easyJet, nem sequer incluem mala de porão.
Estudante Insular como prioridade
O Programa Estudante Insular permite quatro viagens de ida e volta durante o ano escolar sem necessidade de adiantar o preço integral das passagens
Os estudantes madeirenses que frequentam estabelecimentos de ensino no Continente podem recorrer ao Programa para adquirir quatro viagens de ida e volta pagando 59 euros por cada uma, sem necessidade de adiantar as várias centenas de euros que podem custar os bilhetes.
O programa funciona como apoio de tesouraria no âmbito do Mecanismo de Continuidade Territorial e abrange qualquer nível do ensino oficial ou equivalente, incluindo pós-graduações, mestrados e doutoramentos.
No ano escolar 2026/2027, cada beneficiário pode utilizar quatro viagens de ida e volta ou oito viagens ‘one-way’, entre 1 de Setembro e 15 de Junho de 2027. O estudante paga 59 euros por uma viagem de ida e volta entre a Madeira e o Continente ou os Açores.
A adesão é facultativa. Quem optar pelo programa terá de comprar a passagem através de uma das mais de duas dezenas de agências de viagens aderentes ao protocolo com o Governo Regional, apresentando, entre outros documentos, comprovativos de identidade, domicílio fiscal e matrícula, além da declaração de sub-rogação.
O Estudante Insular ganha particular relevância perante os preços elevados das viagens. Uma passagem de 500 ou 600 euros não obriga a família a adiantar essa quantia e aguardar posteriormente pelo reembolso. Cumpridos os requisitos, o estudante desembolsa os 59 euros previstos.
O programa não torna, portanto, as passagens mais baratas. Evita é que estudantes e famílias tenham de suportar temporariamente o preço integral do bilhete.