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Produtores do Douro pedem medidas imediatas para escoamento de uvas a preços justos

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Foto Shutterstock

Viticultores do Douro vão concentrar-se na sexta-feira, no Peso da Régua, para reclamar a concretização de medidas para escoamento das uvas a preços justos já nesta vindima, anunciou ontem a Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

O protesto dos viticultores vai decorrer em frente à sede do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), na Régua, distrito de Vila Real, e foi convocado pela CNA e pela Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense (Avadouriense).

Em comunicado divulgado hoje, as promotoras da iniciativa alegam que, com uma nova vindima prestes a começar, repetem-se os problemas que nos últimos anos "têm desesperado" sobretudo os pequenos e médios viticultores.

"Uvas vindimadas sem ter a quem as vender ou, quando se consegue comprador, não há preços definidos nem datas para receber, sabendo-se apenas que os preços continuarão a não chegar para cobrir os cada vez mais elevados custos de produção", concretizam.

Acrescentam que o "desespero e o futuro incerto no Douro, face à ausência de compromissos sérios para a concretização imediata de medidas que salvem, já nesta vindima, a situação dos viticultores durienses são mais do que razões para protestar".

Os produtores durienses exigem a concretização imediata de medidas para escoamento das uvas a preços justos e reclamam ainda contratos obrigatórios, a proibição de compra de uva abaixo dos custos de produção e a utilização de aguardente regional na produção de vinho do Porto.

Querem um aumento do quantitativo do benefício fixado nas 76 mil pipas (550 litros cada) de mosto para a vindima 2026 e pedem que seja atribuída à Casa do Douro capacidade para estabilização dos 'stocks' de vinho.

Reclamam também a fiscalização efetiva na entrada de mostos e vinhos de fora da região, a compra pelo Estado de pelo menos 115 mil pipas de 'stocks' excedentários e a implementação da medida de destilação de crise direcionada prioritariamente a sócios das adegas e produtores que não tenham adquirido vinhos a terceiros.

A CNA referiu ainda que, nas vésperas da concentração, "o Governo, através do IVDP, fez sair mais um plano para o Douro, mostrando que é a persistência dos viticultores, com reclamação, mas também com propostas concretas, que pode obrigar o Governo a dar as respostas necessárias à situação criada".

"No entanto, o Douro e os viticultores necessitam de soluções agora, e não de intenções para um futuro que se arrisca a nunca chegar", acrescenta a confederação, que refere que "há um ano já estava em andamento uma medida de destilação de crise, e que este ano, apesar da aprovação de uma resolução pela Assembleia da República, não há ainda nenhum sinal de que venha a ser implementada".

O plano executivo para a gestão sustentável e valorização do setor vitivinícola da Região Demarcada do Douro (RDD), a concretizar até 2032, teve coordenação do IVDP e foi entregue ao ministro da Agricultura em julho.

O presidente do IVDP, Gilberto Igrejas, já disse que, "sem colocar em causa o legítimo direito à manifestação, não se compreende a convocação de uma manifestação, atendendo ao processo de diálogo realizado e ao acolhimento e validação de propostas que estão no plano".

Referiu que o IVDP promoveu uma "auscultação alargada" das confederações e associações do setor e que os contributos apresentados foram incorporados no plano "sempre que compatíveis com o quadro legal".

"Entre as matérias acolhidas destacam-se a valorização do preço da uva com referência aos custos de produção, a introdução de contratos escritos obrigatórios a partir de 2027, o reforço do apoio aos pequenos e médios viticultores e às cooperativas, a limitação de novas plantações, a utilização de excedentes da região na produção de aguardente, o reforço da fiscalização e da rastreabilidade", apontou.

O documento encontra-se em análise pelos membros do Conselho Interprofissional do IVDP, que representam o comércio e a produção.