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Autoridades moçambicanas reforçam assistência a 250 mil pessoas perante risco de seca

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Foto Shutterstock

As autoridades moçambicanas estão a reforçar a assistência alimentar a pelo menos 250 mil pessoas em Sofala e a pré-posicionar alimentos nos distritos mais vulneráveis, perante o risco de seca associado ao fenómeno climático El Niño.

A informação foi avançada ontem pelo delegado do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) em Sofala, Aristides Armando, que apontou as inundações registadas no início do ano e a previsão de seca associada ao El Niño entre os principais fatores que agravam a situação alimentar na província.

"Os dados apresentam um total de mais de 250 mil pessoas que estão em insegurança alimentar devido a vários fatores", disse o responsável aos jornalistas.

Segundo Aristides Armando, o INGD vai retomar a assistência alimentar nos distritos de Búzi, Nhamatanda, Muanza e Dondo, naquela província do centro de Moçambique, para onde são já enviados produtos para assegurar a continuidade do apoio às famílias mais vulneráveis.

"Até ao momento, nos nossos armazéns, temos uma ordem de 150 toneladas de produtos alimentares", afirmou.

O delegado acrescentou que a resposta das autoridades inclui também medidas para reforçar a produção agrícola antes da intensificação dos efeitos do El Niño, através da distribuição de sementes e outros insumos agrícolas.

"O mais importante, neste momento, é redobrar esforços (...) para poder ter reservas alimentares para quando chegar o impacto do El Niño da seca", declarou.

Segundo o responsável, o objetivo é reduzir a dependência da assistência humanitária, criando condições para que as comunidades constituam reservas alimentares antes do próximo período de seca.

O fenómeno El Niño está associado, em Moçambique, a períodos de precipitação abaixo da média em várias regiões, com impacto na produção agrícola, principal fonte de subsistência de grande parte da população rural.

O relatório da rede FEWS NET divulgado em 02 de agosto alerta que a recuperação agrícola após as cheias em Moçambique no início do ano continua condicionada por problemas nas zonas afetadas, num contexto em que o El Niño ameaça agravar a insegurança alimentar.

Um relatório divulgado em 16 de julho pela Aliança para uma Revolução Verde em África (AGRA) estimou que mais de 3,5 milhões de moçambicanos enfrentam níveis preocupantes de insegurança alimentar, alertando que a persistência do El Niño até ao final de 2026 e início de 2027 poderá reduzir as chuvas, agravar as perdas agrícolas e aumentar os preços dos alimentos.

Segundo o documento, Moçambique é o quinto país da África Austral com maior número absoluto de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda e as melhorias verificadas na atual campanha agrícola poderão ser temporárias caso se confirmem os cenários climáticos previstos para o final de 2026 e início de 2027.