Zelensky sugere que redução da ajuda militar ocidental visa pressionar Kiev
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sugeriu ontem que a redução da ajuda militar ocidental a Kiev este ano, em particular de defesa antiaérea, poderá ser uma medida para pressionar o país a negociar a paz com a Rússia.
Numa reunião com o Conselho Nacional de Segurança e Defesa, o líder ucraniano disse que desde o início de 2026 Kiev está a receber três vezes menos mísseis antibalísticos do que antes, o que dificulta a tarefa de se defender dos ataques russos.
"Está relacionado com a guerra, ou seja, com as hostilidades e guerras no Médio Oriente. Pelo menos esta é a razão oficial que recebemos dos nossos aliados, principalmente dos Estados Unidos, e também dos nossos parceiros europeus", afirmou Zelensky em declarações citadas pela agência Ukrinform.
"Talvez se trate de medidas políticas para tornar a Ucrânia mais complacente. Na minha opinião, há algo disso", sugeriu o presidente.
Na reunião, Zelensky pediu aos Ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros que façam tudo o que for possível para convencer os aliados de Kiev a fornecerem mais munições para as defesas antiaéreas.
No sábado passado, a Força Aérea ucraniana informou que apenas um dos 27 mísseis balísticos lançados pela Rússia contra o país tinha sido derrubado, num ataque que deixou nove mortos em Kiev.
Hoje, os ataques noturnos russos causaram 17 mortos, sem que as defesas conseguissem derrubar qualquer um dos 24 mísseis balísticos usados.
Zelensky intensificou nos últimos dias os apelos aos seus aliados para que forneçam munições para defesas antiaéreas e na semana passada viajou para a Washington para discutir com o Presidente norte-americano, Donald Trump, a autorização para fabricar na Ucrânia mísseis para baterias Patriot.
Depois de inicialmente se ter mostrado recetivo a um acordo de fabrico, esta semana Trump levantou reservas sobre a transferência de tecnologia.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).