Operação policial no Brasil identifica grupo que planeava ataques em Brasília nas eleições
A polícia brasileira anunciou que levou a acabo hoje uma operação contra pessoas acusadas de preparar ataques na capital, Brasília, durante as eleições de outubro, nas quais o atual Presidente, Lula da Silva, tentará a reeleição.
A operação envolveu várias forças policiais e visou um grupo de oito pessoas, com idades entre 19 e 31 anos, localizados nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul, suspeitas de planear ataques com explosivos a edifícios dos três poderes em Brasília, informaram as autoridades brasileiras
Segundo informou a Polícia Civil do Distrito Federal, o grupo usava o Telegram para divulgar conteúdos extremistas, neonazis, antissemitas e misóginos.
Nas conversas, os investigadores identificaram a partilha de manuais para construção de artefactos explosivo, além de planos para invasão de edificações, seleção de alvos, formação tática, recrutamento interestadual e análise de mapas em Brasília.
Foram também encontras as plantas arquitetónicas de prédios da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, incluindo o Palácio do Planalto, sede do Executivo federal.
Um dos alvos era um seminarista, que mora num mosteiro em Pernambuco, apontado pelos investigadores como um participante ativo das discussões do grupo extremista.
O coordenador responsável pela operação policial, Maurílio Coelho, informou que o grupo não fez menção a nome de autoridades políticas do país, e que os suspeitos "eram contra o sistema político" e "pregavam discurso de ódio" às mulheres em posições de autoridade.
"Brasília é o que chamamos de centro de gravidade dos atos. Eles compartilhavam os documentos de como se construir artefactos explosivos, bombas, mapas", explicou durante uma conferência de imprensa.
Os suspeitos não chegaram a ser presos, mas foram-lhe apreendidos os telemóveis e outros aparelhos eletrónicos apreendidos, e além disso, explicou Coelho, adiantando que não foram encontrados armamentos ou explosivos durante a operação.
"O nosso objetivo é entender em que fase de planeamento este grupo criminoso estava. Eles já estavam discutindo recrutamento de pessoas, possibilidade de data e [ataques] a prédios em Brasília", referiu.
As investigações continuam, para a análise do material apreendido, a identificação de outros envolvidos e a responsabilização dos investigados.
A operação contou com a colaboração do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça e Segurança Pública.