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Netanyahu recusa retirada de Gaza antes de desarmamento total do Hamas

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Foto Shutterstock

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, recusou hoje a retirada das atuais posições do exército na Faixa de Gaza, demarcadas pela chamada "linha amarela", até que o desarmamento do grupo islamita Hamas esteja concluído.

Num vídeo divulgado na rede social Facebook, o chefe do Governo afirmou que as tropas israelitas "não se retirarão das atuais linhas em Gaza até que o Hamas esteja completamente desarmado", na sua primeira reação pública ao acordo anunciado na semana passada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre as próximas etapas do cessar-fogo no enclave palestiniano.

"Trump pensa, e a sua equipa pensa, que o Hamas pode ser totalmente desarmado e Gaza desmilitarizada --- estamos a analisar a situação", observou Netanyahu na sua mensagem, na qual confirma divergências com a Casa Branca, onde se encontrou há uma semana com o líder norte-americano.

Na quinta-feira, Donald Trump anunciou que o Hamas tinha aceitado o desarmamento das milícias palestinianas na Faixa de Gaza, num processo que implicaria a retirada gradual das forças israelitas do território.

"Enviaram-nos uma minuta, com a qual não concordámos. Não era a nossa minuta. Enviámos as nossas respostas", relatou hoje Netanyahu, acrescentando que as observações de Israel foram transmitidas a Washington antes de o assunto ser abordado pelos meios de comunicação social.

Antes desta declaração, um porta-voz do seu gabinete disse na segunda-feira à agência Associated Press (AP) que Israel partilhou "graves preocupações de segurança" com os Estados Unidos relativamente à proposta de acordo para a Faixa de Gaza.

Segundo Doron Spielman, a avaliação dos serviços de informação israelitas indica que o Hamas continua empenhado em reconstruir a sua capacidade militar em vez de se desmilitarizar genuinamente.

O porta-voz afirmou ainda que o exército israelita não se retirará da Faixa de Gaza, onde controla mais de 60% do território, antes de o Hamas se desarmar.

Os islamitas palestinianos começaram por confirmar que foi alcançado um acordo relativamente à questão do desarmamento mas posteriormente indicaram que só o farão depois da cessação dos ataques israelitas e retirada do exército.

O Conselho da Paz, órgão criado por Trump para a Faixa de Gaza no âmbito do plano da Casa Branca, esclareceu na segunda-feira que, "ao contrário de informações imprecisas", a "retirada completa" do exército israelita para além da "linha amarela" só ocorrerá após o desarmamento total do grupo islamita palestiniano, "conforme o Hamas se comprometeu perante os mediadores".

Isto aplica-se tanto a armas ligeiras como pesadas, bem como aos túneis das milícias palestinianas, declarou a organização liderada pelo diplomata búlgaro Nikolai Mladenov, na rede social X.

A instituição informou ainda que no mesmo dia decorreu uma reunião entre Mladenov e Netanyahu, na qual o futuro do território foi discutido de forma "construtiva e abrangente".

Em resposta, o Hamas disse que aguardava informações "claras e oficiais" do Conselho da Paz e dos países mediadores sobre o processo de desarmamento e reiterou o compromisso com os pontos acordados.

Já hoje, fonte do grupo islamita comentou à agência France-Presse (AFP) que o Hamas e outras fações palestinianas "estão desconfortáveis" com a declaração de Nikolai Mladenov.

O anúncio do acordo com o Hamas colocou Benjamin Netanyahu sob pressão dos ministros ultranacionalistas do seu Governo de coligação, que recusam o entendimento, a poucos meses das eleições agendadas para outubro.

Apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro do ano passado, as hostilidades nunca cessaram no território de Gaza, com ambos os lados a acusarem-se mutuamente de violação da trégua.

A guerra no enclave foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.