Rubio pede paciência e defende que transição política levará meses e não anos
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, pediu hoje paciência no que diz respeito à transição política na Venezuela, afirmando esperar que esta demore "meses, não anos".
Sete meses após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro, durante uma intervenção militar norte-americana em Caracas, os representantes da Presidente interina, Delcy Rodríguez, e membros da oposição deverão realizar esta semana, na capital venezuelana, a primeira ronda de negociações presenciais, numa data que ainda não foi anunciada.
Os temas a abordar nesta primeira reunião serão a resposta ao duplo sismo de 24 de junho, que causou mais de 6.000 mortos, o reforço da democracia, bem como os direitos e garantias políticas.
Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, assumiu as rédeas de um Governo sob forte controlo da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, que encorajou este diálogo com a oposição.
"É evidente que ainda há muito a fazer para lançar as bases de uma eleição", afirmou Rubio à imprensa durante uma cerimónia de assinatura de um acordo sobre energia nuclear civil com o Paraguai.
"Penso que será necessário dar provas de perseverança e um pouco de paciência --- não anos, mas certamente meses e semanas", adiantou o chefe da diplomacia norte-americana, referindo-se aos "progressos em curso" na Venezuela.
Após mais de 12 anos de diálogos infrutíferos, os venezuelanos encaram com ceticismo a nova aproximação entre o Governo e um setor da oposição, que teve início no sábado com o apoio de Washington.
O novo processo de diálogo é liderado pelo presidente do parlamento, o chavista Jorge Rodríguez, irmão da Presidente interina, e pela ex-deputada da oposição Dinorah Figuera, que defende a continuidade da Assembleia Nacional (AN, parlamento) eleita em 2015, altura em que era controlada pela oposição.
Embora se esperasse um encontro cara a cara no sábado passado, ambas as partes deram início às conversações com uma chamada telefónica.
Durante a conversa, ficou acordado abordar o fortalecimento da democracia e a assistência às vítimas do duplo terramoto de 24 de junho.
O Departamento de Estado norte-americano afirmou na segunda-feira que apoia o lançamento das iniciativas lideradas por Caracas "para dar resposta às necessidades urgentes das pessoas afetadas pelos terramotos de 24 de junho, reforçar as instituições democráticas, alargar as liberdades políticas e promover um futuro mais estável e próspero para o povo venezuelano".
"Este processo contribui significativamente para o plano em três fases que os Estados Unidos apoiam, com vista a alcançar a estabilização, a recuperação económica e a reconciliação política, bem como a transição para eleições democráticas", acrescentou a nota da diplomacia norte-americana.
A ex-deputada Dinorah Figuera, que defende a continuidade do parlamento eleito em 2015 que era controlado pela oposição - quando estava no poder Nicolás Maduro -, afirmou recentemente que a líder opositora María Corina Machado "é muito importante neste processo".
Mesmo ausente das negociações entre o Governo interino e parte da oposição, a opositora e Nobel da Paz (2025) disse esperar que saia "um cronograma eleitoral presidencial oportuno" deste diálogo.
Corina Machado e Edmundo González Urrutia - cuja vitória nas presidenciais de julho de 2024 é reivindicada pela oposição - anunciaram que não participarão neste processo de diálogo, mas prometeram que regressarão à Venezuela para "acompanhar o povo, percorrer o país e construir" um acordo nacional para a reconstrução.
Do lado do chavismo, movimento político associado ao antigo Hugo Chávez, o diálogo será liderado pelo presidente do parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, enquanto a antiga deputada Figuera representará a oposição.