Governo aposta em ganhar mais com o turismo sem aumentar os visitantes
Eduardo Jesus diz que o sector está a atingir um "planalto" no crescimento das dormidas e defende uma nova etapa assente na criação de valor, na qualificação da oferta e na diversificação dos mercados
O secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, considera que o turismo madeirense entrou numa fase de consolidação, em que o crescimento deixa de assentar no aumento expressivo do número de visitantes para passar a privilegiar a criação de valor e a rentabilidade do destino.
"Temos, no primeiro semestre deste ano, uma variação positiva de 2,2% nas dormidas. Como estamos a ver, estamos a crescer a taxas que já não são muito expressivas. Isto revela que estamos a atingir um planalto depois de uma fase de crescimento muito acentuada", afirmou o governante, à margem da apresentação da obra '10 anos de Turismo na Região Autónoma da Madeira – 2015/2024', a qual será editada pela Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, ao Representante da República.
Na sua leitura, esta evolução não representa um sinal de abrandamento preocupante, mas antes a entrada numa nova etapa. "Crescimentos na ordem de 1% ou 2% são crescimentos de manutenção da actividade económica", sustentou.
Embora a quantidade de dormidas possa estar a crescer 2,2%, o rendimento do sector está na casa dos 7%. Aqueles que nos procuram estão a valorizar mais a Madeira do que valorizavam anteriormente. Aqueles que nos procuram estão a valorizar mais a Madeira do que valorizavam anteriormente. Este é o caminho e o espírito do próprio programa do Upgrade, que é de criar mais valor e da Madeira manter estes níveis de procura, mas ganhar mais com este nível de procura. Ou seja, arrecadar mais das pessoas que nos visitam. E este primeiro semestre confirma esta tendência. Eduardo Jesus, secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura
Na intervenção, o governante fez também um balanço da última década, período analisado na publicação agora apresentada. Segundo referiu, as decisões tomadas desde 2015 permitiram transformar a posição da Madeira nos mercados internacionais.
"Nós tivemos a oportunidade, já o ano passado, de publicar um trabalho que resumiu toda a evolução do sector na última década. Houve interesse em conhecer com maior profundidade esse percurso e esta obra serviu para transmitir as decisões que foram tomadas ao longo destes 10 anos, os resultados que foram alcançados e a razão de nós hoje sermos um destino turístico com outra presença internacional e com outro reconhecimento internacional", afirmou.
Entre as medidas que considerou determinantes, destacou a concentração da promoção turística na Associação de Promoção da Madeira, o reforço do respectivo orçamento, a profissionalização da estrutura, o lançamento da marca Madeira, as parcerias estabelecidas, entre as quais com a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que "foi muito importante para nós" para conquistarmos o mercado nacional. "Recordo que em 2015 o mercado nacional era o único que não crescia na Madeira, e o ano passado foi aquele que mais hóspedes para a Região, trazendo 604 mil pessoas em 2025", sublinhou.
Segundo Eduardo Jesus, o conjunto dessas políticas traduziu-se num crescimento de 80% nas dormidas e de 160% nos proveitos do sector ao longo da última década, permitindo igualmente uma valorização salarial real na ordem dos 14%. "Isto é importante não só para termos um sector mais rentável, mas acima de tudo para que este sector possa fazer os seus investimentos de modernização, de actualização e de renovação. E, acima de tudo, pagar melhor", disse.
Não obstante, o governante abordou igualmente a evolução do perfil dos visitantes, considerando que a Madeira conseguiu manter o seu público tradicional e, ao mesmo tempo, conquistar turistas mais jovens. "Nós conseguimos conservar o que era o hábito da Madeira, que eram pessoas nos seus 50 e mais anos, mais experientes na vida, e conquistou-se em simultâneo turitas mais novos, logo na saída da pandemia. Ou seja, a Madeira não substituiu públicos", frisou.
Pese embora toda a fatalidade que constitui a pandemia, ela foi uma grande oportunidade para a Madeira. Porque preparámo-nos bem, reagimos bem e montámos uma operação que foi exemplar para todo o mundo. O que era natureza hospitalar transformou-se em hospitaleira e isso foi muito comunicado pelo mundo fora Eduardo Jesus, secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura
Por fim, Eduardo Jesus destacou ainda a aposta na diversificação dos mercados emissores, em particular nos Estados Unidos da América, recordando que o mercado norte-americano passou de 17 mil para 74 mil visitantes em apenas dois anos.
"Dispomos, neste momento, de uma operação com uma grande companhia, que é a United. Que liga, do aeroporto de origem da Madeira a outros 86 aeroportos nacionais dos Estados Unidos. E, por isso, está integrada numa rede que é infindável para nós", disse, explicando que a aposta neste mercado é importante porque assim diminui a dependência da Madeira em relação ao mercado europeu.