Educação Inclusiva: um conceito bonito no papel
Nos dias que correm, discute-se tanto sobre educação inclusiva. Organizam-se formações, projetos, leis, cheios de boas intenções. Todavia bastam algumas palavras para perceber que a prática está longe da teoria.
Imaginem uma criança que, na reunião final do 1ºano, já recebe uma sentença. Não estamos a falar de uma avaliação. Sim de uma sentença.
Perante uma sala cheia de pais, uma professora afirma que o aluno não vai passar o ano seguinte. Sem que o ano letivo sequer começasse. Não houve espaço, nem tempo para aprender, falhar, tentar novamente ou surpreender. O veredito já estava dado.
É curioso. Sempre pensei que a função de um professor fosse ensinar, orientar e acreditar no potencial dos seus alunos. Afinal, parece que alguns desenvolveram a extraordinária capacidade de prever o futuro. Talvez seja uma competência adquirida com os anos de serviço. Ou, talvez, seja apenas o cansaço.
O mais preocupante não é a falta de profissionalismo. É o impacto que este tipo de atitudes pode ter na autoestima de uma criança. Como pode um aluno sentir-se incluído quando alguém que deveria ajudá-lo a crescer já desistiu dele?
A verdadeira inclusão não acontece nos discursos. Acontece quando se olha para uma criança e se vê possibilidades em vez de limitações.
Recentemente, ao preparar uma pequena lembrança para os professores, de forma a assinalar o tempo que despendem (ou deveriam despender) diariamente com a educação do meu filho, ouvi uma frase do mesmo que me fez refletir profundamente:
“Por que razão vou dar uma prenda? Elas não fizeram nada por mim. Só querem saber dos meninos que sabem as coisas.”
Esta frase vale mais do que muitos relatórios e reuniões sobre inclusão… Porque uma criança percebe quando é valorizada. E também percebe quando é ignorada.
Contudo, há pais que acreditam. Há pais que acompanham, incentivam e levantam os filhos quando os outros já os deram como perdidos. Há pais que fazem tudo para que os seus filhos sintam que pertencem à sociedade e que têm valor.
Porque nenhuma criança deve ser definida pelas expectativas limitadas de um adulto.
E porque, às vezes, as maiores surpresas vêm precisamente daqueles em quem ninguém acreditou.
Mas o meu filho vai surpreender. Não porque alguém da escola acreditou nele. Mas porque ele tem uma família que nunca deixará de acreditar.
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