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Putin visita Sibéria numa das poucas deslocações fora de Moscovo

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O Presidente russo, Vladimir Putin, deslocou-se hoje a Krasnoyarsk, na Sibéria, numa das poucas visitas oficiais realizadas este ano fora de Moscovo e São Petersburgo, num contexto de reforço das medidas de segurança devido a ataques ucranianos.

"É fantástico que nos estejamos a encontrar aqui. (...) Krasnoyarsk é o centro geográfico da Rússia", afirmou Putin, citado pela agência russa RIA Novosti.

Na cidade, situada a mais de 3.300 quilómetros a leste de Moscovo e com mais de um milhão de habitantes, Putin reuniu-se com o governador da região e participou na cerimónia de encerramento da competição estudantil Grande Oportunidade, iniciativa que envolveu mais de sete milhões de estudantes.

Durante o encontro, o chefe de Estado russo chegou a trocar alguns toques numa bola de futebol com um dos participantes, apesar de ser conhecida a sua reduzida ligação à modalidade.

A imprensa independente russa noticiou que os preços dos combustíveis nos postos de abastecimento de Krasnoyarsk diminuíram pouco antes da chegada do avião presidencial, numa altura em que o país enfrenta dificuldades no setor petrolífero devido, entre outros fatores, aos sucessivos ataques ucranianos contra refinarias.

A visita ocorre também num contexto de crescente pressão política interna sobre Putin e o partido no poder, Rússia Unida, perante o impacto da guerra na Ucrânia, os problemas no abastecimento de combustíveis e as restrições no acesso à Internet.

Segundo sondagens citadas pela imprensa russa, a popularidade de Putin terá caído cinco pontos percentuais numa semana, enquanto o Rússia Unida regista uma taxa de aprovação próxima dos 30%.

O Presidente russo participa diretamente na campanha eleitoral do partido pela primeira vez desde 2007, antes das eleições parlamentares marcadas para 20 de setembro.

O Rússia Unida ainda não divulgou um programa eleitoral, tendo adotado como principal lema da campanha "Tudo pela Vitória", numa referência direta à guerra na Ucrânia.

Desde o ano passado, o Kremlin reforçou significativamente as medidas de proteção de Putin, que reduziu as deslocações pelo país numa altura em que os drones ucranianos têm demonstrado capacidade para atingir alvos muito para além das regiões russas próximas da fronteira.

Além de Moscovo e São Petersburgo, Putin realizou este ano apenas deslocações oficiais a Kazan, capital do Tartaristão, e a Irkutsk, na Sibéria, onde visitou uma fábrica de aviões.

A intensificação dos ataques ucranianos contra a retaguarda russa ocorre num momento de impasse nos esforços diplomáticos para terminar a guerra.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, Putin continua a rejeitar concessões territoriais a Kiev e pretende assegurar o controlo de toda a região do Donbass antes de aceitar avanços substanciais nas negociações de paz.