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Associação marroquina culpa Rabat e pede investigação a crise em Ceuta

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Foto EPA

A Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) responsabilizou Marrocos pela mais recente crise migratória em Ceuta, e pediu uma investigação "séria e independente" ao que aconteceu na cidade autónoma espanhola, no norte de África.

Em comunicado, a organização não-governamental (ONG) acusou, ontem, Marrocos de ter "políticas de marginalização" que conduziram a este "deslocamento massivo" de pessoas, "à semelhança do que acontece em zonas de guerra e em conflitos armados".

Ceuta registou desde quinta-feira uma entrada em massa de migrantes vindos de Marrocos, que as autoridades locais e espanholas estimaram entre 50 mil e 60 mil.

De acordo com o executivo espanhol, a maioria destes migrantes já abandonou Ceuta.

De acordo com o balanço mais recente desta crise, pelo menos 67 pessoas que morreram quando tentavam alcançar Ceuta a nado, mas a AMDH calcula que haja 130 mortos e desaparecidos.

Para a ONG, estes acontecimentos refletem "uma profunda crise estrutural" em Marrocos e são "o culminar de décadas de marginalização social e económica" no norte do país.

A decisão da população de arriscar a vida "é um indicador perigoso de desespero generalizado e descrédito nas instituições, nas políticas públicas e no futuro", lamentou.

Além de criticar "o silêncio suspeito" do governo de Rabat, a AMDH pediu uma investigação "séria e independente" ao que aconteceu na quinta e na sexta-feira.

Ceuta é um pequeno território, com cerca de 83.000 habitantes, situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, e é igualmente uma das duas fronteiras terrestres entre África e Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.

Por causa desta crise, os ministros da Administração Interna da UE vão realizar uma reunião de emergência, na terça-feira, para discutir a situação em Ceuta.

A reunião vai decorrer por videoconferência, disse o primeiro-ministro da Irlanda, que assegura atualmente a presidência semestral da UE.