O Turismo e seus limites
“España no necesita más turistas”, o artigo de Francisco Rodriguez, Professor Catedrático de Economia, da Universidade de Granada, no El Mundo, no dia 18 deste mês.
Na sua argumentação, ele referiu que em economia é muito importante a margem de rentabilidade. Quando o 1º turista chegou a uma praia quase vazia produziu um benefício enorme, que justificou o hotel, o restaurante, o voo e muitos empregos que antes não existiam.
O turista 100 milhões (previsão para este ano) chega a um país muito diferente. Ele também necessitará de uma cama, água, transporte, energia e alguns metros quadrados de cidade ou de costa durante alguns dias. Ele, supostamente, gerará receita, ainda que também utilize recursos cujo valor alternativo cresceu extraordinariamente.
Este é o problema dos recordes: somam os benefícios e escondem os custos. O gasto do visitante aparece com grande precisão nas estatísticas. Mais difícil será medir a congestão, o espaço ocupado, as infraestruturas adicionais, o efeito que produz sobre uma cidade, que uma vivenda resulte mais rentável em três noites que durante um mês. O PIB contabiliza muito bem uma cerveja vendida. Será mais difícil valorizar que o barman que a serve já não possa viver próximo do bar.
Nenhum empresário sério tentaria maximizar indefinidamente o nº de clientes, sem questionar quanto ganharia com o cliente seguinte.
Quando servir, alojar, transportar e animar uma população flutuante gigantesca oferece retornos imediatos, outras actividades têm que competir pelos mesmos trabalhadores, locais, vivendas e recursos.
A solução, segundo ele, não será optar pelo turismo de luxo, porque o visitante rico ocupa espaço, consome recursos e também transforma os preços. Trata-se de abandonar a obsessão pela quantidade e perguntarmos que turismo melhor contribui para o bem-estar de quem lá vive. Melhor gasto por visitante pode ser parte da resposta. Também a dispersão territorial, uma melhor produtividade e, quando for o caso, aceitar que nos lugares mais sensíveis, não precisam crescer mais.
O autor acrescenta que não é que o turismo espanhol esteja tão mal. O contrário, que vá tão bem que resulte demasiado cómodo continuar fazendo o mesmo.
Ele concluiu que muitas das cidades espanholas já perderam a sua alma.
João Freitas