PSD elogia discurso do PR e recusa romper acordo com o Chega na lei das rendas
O PSD elogiou hoje o discurso do Presidente da República na cerimónia na implantação da República e recusou o repto do PS para que rompa o seu acordo com o Chega para rever a lei do arrendamento.
Em declarações aos jornalistas, no final da sessão solene, na Praça do Município, em Lisboa, o vice-presidente da bancada social-democrata Alexandre Poço destacou na intervenção do chefe de Estado o apelo feito ao espírito de ambição no país, a par da necessidade de estabilidade política.
"Também algo com o qual o PSD se revê bastante, que é a dimensão de diálogo. Dou exemplos muito concretos: na semana passada, por exemplo, tivemos o PS a anunciar que irá abster-se na votação do Orçamento de Estado para o próximo ano; por outro lado, numa matéria setorial muito importante, no arrendamento, foi possível um entendimento com o Chega para a sua viabilização", referiu.
Confrontado com o repto do PS para que o PSD acabe com esse acordo com o Chega para a revisão da lei do arrendamento, Alexandre Poço contrapôs que essa posição do secretário-geral socialista, José Luís Carneiro, é contraditória com o teor do discurso hoje proferido pelo chefe de Estado.
"O PSD continuará a negociar com os partidos que, em cada momento, estão disponíveis para aprovar, discutir e melhorar as propostas do Governo. Não vamos entrar nesse jogo do agora não falamos com este, nem vamos entra na lógica de, para aprovarmos com aquele partido, temos de abdicar do outro partido. Seria o contrário das palavras do Presidente da República", reagiu o dirigente social-democrata.
Alexandre Poço frisou que, na sua intervenção, António José Seguro "acabou de dizer ao país, mas também aos partidos políticos, que é importante que deixem as nossas trincheiras e que exista a capacidade de falar uns com os outros".
"Temos procurado ter essa linha, até porque não temos uma maioria absoluta no Parlamento, mas, antes, uma maioria relativa, o que implica que haja sempre essa capacidade de falar com os outros partidos", sustentou.
Alexandre Poço defendeu depois a proposta do Governo para a revisão da lei das rendas, classificando-a como moderada em termos de solução entre inquilinos e proprietários.
"Quando o Governo avançou com a proposta do arrendamento, ouvimos os representantes dos inquilinos a dizer o Governo está a ir longe demais e ouvimos depois os representantes dos proprietários a dizer a proposta fica a aquém. Ou seja, conseguimos fazer uma proposta que procura realçar o melhor para os dois, não conseguindo ainda acautelar os interesses em particular de cada um, porque queremos uma proposta que sirva ao mercado de arrendamento como um todo", defendeu o vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD.
Alexandre Poço deixou mais um recado ao PS.
"Não podemos entrar num jogo de chantagem uns com os outros, tipo se falas com aquele, depois não posso aprovar-te isto. Os portugueses não merecem esse tipo de oportunismo por parte dos partidos políticos", acrescentou.