ONU alerta para a necessidade de doações para atender milhares de afectados na Venezuela
A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou hoje para a necessidade de doações económicas para atender milhares de pessoas afetadas pelo duplo sismo que em 24 de junho abalou o país.
"Para continuarmos a apoiar os que mais precisam, é fundamental que o Plano de Resposta Humanitária (PRH) receba os recursos necessários (...) Todas as doações são encaminhadas diretamente para o Fundo Humanitário da Venezuela (FHV)", explica um comunicado divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
O documento explica que na Venezuela "304.100 pessoas afetadas tiveram acesso a serviços essenciais e apoio humanitário graças à resposta coordenada entre as autoridades, as comunidades, as entidades das Nações Unidas, as organizações humanitárias e os parceiros doadores", acrescentando que "57% das pessoas abrangidas são mulheres e meninas".
"Esta resposta foi possível graças ao trabalho de, pelo menos, 83 organizações locais, nacionais e internacionais, bem como de entidades das Nações Unidas, que implementaram atividades nas áreas da segurança alimentar, água, saneamento e higiene, alojamento, saúde, proteção, incluindo a proteção de raparigas, rapazes e adolescentes e a resposta à violência baseada no género, nutrição e educação", explica.
O documento precisa que mais de 90% das pessoas abrangidas concentram-se nos sete estados afetados, nomeadamente em La Guaira, Miranda, Distrito Capital e Arágua.
"A resposta humanitária também chegou às pessoas que se deslocaram para outros estados em consequência da situação de emergência", sublinha.
Segundo ao OCHA "a ajuda continua a ser essencial para milhares de famílias na Venezuela".
O duplo sismo de 24 de agosto causou danos graves em infraestruturas, pessoas feridas e vítimas mortais em sete estados da Venezuela, Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o que registou maior afetação.
Segundo o último balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6.438 pessoas faleceram e 86.358 pessoas foram assistidas nos hospitais depois dos sismos.
Entre os mortos, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.
Foram inspecionadas 59.109 habitações, das quais 34.680 foram consideradas habitáveis, 13.733 com restrições e 10.696 de "alto risco", tendo já sido removidas 528.222 toneladas de escombros.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
O Banco Mundial estimou em 19,6 mil milhões de dólares (16,9 mil milhões de euros) a destruição material casada pelos terramotos.