MNAA e Museu da Terra de Miranda com reabertura prevista para o último trimestre
O Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, e o Museu da Terra de Miranda, em Miranda do Douro, deverão reabrir no último trimestre do ano, após obras de requalificação financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), indicou ontem fonte oficial.
Em resposta à agência Lusa sobre o ponto de situação do conjunto dos equipamentos encerrados para obras através do PRR, tuteladas pela Museus e Monumentos de Portugal (MMP), fonte da comunicação da empresa pública avançou a previsão do último trimestre, acrescentando que não há ainda uma data definida para estas reaberturas.
"Os dois equipamentos referidos são os que têm neste momento previsão de reabertura mais próxima, embora ainda não haja uma data [precisa] a anunciar. Os restantes estão em diferentes situações, podendo existir outras aberturas até final do ano", acrescentou a MMP.
O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), encerrado desde 29 de Setembro de 2025, reúne mais de 40 mil peças e alberga a mais relevante coleção pública portuguesa de pintura, escultura, ourivesaria e artes decorativas europeias, africanas e orientais.
Entre as obras de maior destaque estão os Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, alvo de restauro em curso desde 2020, a Custódia de Belém, os Biombos Namban, "As Tentações de Santo Antão", de Bosch, e "São Jerónimo", de Dürer.
As intervenções no MNAA abrangem a conservação e beneficiação da fachada norte, a reabilitação e remodelação das coberturas da ala do antigo Palácio Alvor e a conclusão do restauro da Capela das Albertas, segundo a informação disponibilizada pela MMP.
Por seu lado, o Museu da Terra de Miranda, em Miranda do Douro, possui um acervo de natureza etnográfica e arqueológica, documenta a vida social, cultural, religiosa e económica das comunidades locais e inclui peças de arqueologia, armas, artes e ofícios, cerâmica, instrumentos musicais, objetos de uso ritual, pastoreio, cestaria, traje e transportes.
Sobre o Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, que permanece fechado, e é o equipamento museológico com o encerramento mais prolongado, desde Abril de 2022, a MMP indicou: "Após a conclusão do PRR, estão a ser avaliadas outras fontes de financiamento, conforme referiu recentemente a Ministra da Cultura".
O Museu Nacional de Arqueologia está instalado no Mosteiro dos Jerónimos, desde 1903, e reúne coleções arqueológicas que abrangem a história portuguesa desde a Pré-História até à fundação do país, incluindo ainda peças estrangeiras e etnográficas.
Desde a criação da MMP, em 2024, reabriram cinco equipamentos que tinham estado encerrados para obras no âmbito do PRR: o Museu/Palácio dos Biscainhos, em Braga, em maio de 2025, o Museu do Abade de Baçal, em Bragança, em novembro do mesmo ano, e o Museu Nacional da Música, em Mafra, também em novembro.
Em Janeiro de 2026, reabriu a Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra e, em maio, a Torre de Belém, em Lisboa.
Entre os equipamentos que permanecem encerrados encontra-se o Museu de Lamego, desde Maio de 2025, para obras que incluem a reabilitação de coberturas e caixilharias, instalação de climatização, arranjos exteriores, acessibilidade e um novo projeto de museografia.
Fundado em 1917 no antigo Paço Episcopal de Lamego, reúne coleções de pintura, tapeçaria, ourivesaria, mobiliário e arte sacra.
O Museu Nacional do Azulejo, que reúne uma coleção dedicada à história e produção do azulejo, encerrado desde Novembro de 2025, ocupa o Convento da Madre de Deus, e está a ser alvo de reabilitação das fachadas, conservação e restauro da Torre Sineira e da Torre do Coruchéu, beneficiação e restauro geral do claustro, coro alto e revestimento azulejar da igreja.
Quanto ao Museu Nacional do Teatro e da Dança, encerrado na mesma altura, instalado no edifício e jardim do Palácio do Monteiro-Mor, em Lisboa, possui um acervo com mais de 300 mil peças que abarcam teatro, dança e ópera.
Por seu turno, o Museu Nacional do Traje, também em Lisboa, está encerrado desde junho de 2024. Instalado no Palácio Angeja-Palmela, possui cerca de 40 mil peças, sobretudo de traje civil e acessórios, documentando a evolução das formas de vestir, com destaque para as coleções de traje feminino e masculino, traje infantil, acessórios, tecidos, bordados, rendas e colchas.
A situação deste museu é "particularmente complexa devido aos problemas estruturais muito graves" identificados no edifício, afirmou em maio a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, razão pela qual o Governo está "a estudar outras localizações" para o museu.
Na mesma audição parlamentar, a ministra explicou que não foi possível avançar com um projeto de execução de obras compatível com o calendário do PRR, tendo sido realizada apenas uma intervenção nos jardins.
Contactado pela agência Lusa por 'e-mail' sobre uma nova localização deste museu, o gabinete da ministra respondeu que "será comunicada oportunamente".
Já o Museu Rainha D. Leonor, em Beja, permanece encerrado desde 2023. Instalado no antigo Convento de Nossa Senhora da Conceição, reúne coleções de escultura, pintura, ourivesaria, azulejaria, artes decorativas, metrologia, etnografia e arqueologia, com particular incidência no património do Baixo Alentejo.
O PRR, programa nacional de reformas e investimentos criado na sequência da pandemia de covid-19, com execução prevista até ao final de agosto de 2026, contempla, na área da cultura, intervenções de requalificação em património cultural classificado, museus, monumentos e palácios nacionais, num investimento global de 243,2 milhões de euros.