NATO acusa Rússia de "perigosas e inaceitáveis" violações do espaço aéreo da Polónia e Roménia
O Conselho do Atlântico Norte, órgão máximo de decisão da NATO, condenou hoje as recentes violações "perigosas e inaceitáveis" do espaço aéreo da Polónia e da Roménia, pelas quais responsabilizou a Rússia.
O Conselho do Atlântico Norte reuniu-se esta manhã ao nível de embaixadores para discutir as recentes violações do espaço aéreo de países aliados, bem como os recentes incidentes com drones na Alemanha, manifestando no final "total solidariedade e apoio aos aliados afetados".
Em comunicado, a NATO reiterou que Moscovo é "totalmente responsável" pelas violações do espaço aéreo da Polónia e da Roménia, que considerou "perigosas e inaceitáveis e que demonstram a crescente tolerância da Rússia ao risco".
Além disso, os aliados deixaram claro que se mantêm "unidos e firmes na defesa do território" dos países da NATO e elogiaram a rápida ação da Aliança Atlântica e das autoridades nacionais na resposta decisiva aos acontecimentos.
A NATO "está preparada para dissuadir e defender-se contra qualquer agressão", frisa.
No final de julho, um míssil balístico de fabrico russo caiu a cerca de 60 quilómetros de Lublin (leste da Polónia), o que o primeiro-ministro Donald Tusk descreveu como um "incidente grave" e o levou a enviar uma carta de protesto ao embaixador russo em Varsóvia.
Também no final de julho, a Roménia convocou o embaixador russo em Bucareste e expulsou um diplomata russo em protesto contra a violação do seu espaço aéreo, depois de os seus caças terem abatido três drones russos.
"A NATO continua a reforçar as suas defesas aéreas e antimíssil integradas em toda a Aliança", nomeadamente no flanco leste, desde o Mar Báltico até ao Mar Negro, sublinharam hoje os aliados.
"Estes e outros atos irresponsáveis da Rússia não dissuadirão (os aliados) do seu compromisso duradouro com a Ucrânia, cuja segurança contribui" para a sua própria, adiantaram.
A Alemanha tem estado em alerta máximo devido ao ressurgimento de operações de desestabilização, sabotagem e espionagem no seu território, a maioria das quais atribuídas à Rússia.
Um drone com um engenho explosivo foi descoberto na segunda-feira no aeroporto de Leipzig-Halle, um dos grandes postos de transporte de equipamento militar para a Ucrânia proveniente da Alemanha e da NATO.
Na terça-feira, o aeroporto de Hanôver (centro) foi afetado pelo sobrevoo de um drone, obrigando ao encerramento das pistas durante 90 minutos.
O ministro do Interior alemão alertou na semana passada para "uma nova dimensão de ameaça" ao país, mencionando um possível "cenário de ataque híbrido" após a descoberta do drone explosivo no aeroporto de Leipzig.
"Nada neste caso sugere a ação de um amador. Estamos perante uma ameaça híbrida profissional, com a qual teremos de continuar a lidar", afirmou o ministro.
Esta ameaça pode envolver "potências estrangeiras", acrescentou, sem dar mais detalhes.
Berlim tem apoiado ativamente Kiev desde o início da invasão russa em 2022.
Em setembro de 2025, as autoridades alemãs lançaram uma campanha de informação alertando contra o recrutamento na internet de agentes por parte da Rússia.