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Fact Check Madeira

Príncipe saudita suspeito de envolvimento em assassinato?

A morte do jornalista Jamal Khashoggi, no consulado de Istambul, continua a ser relacionada com o líder saudita

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A partir de amanhã estará na Região uma comitiva da família real saudita, em que o elemento mais destacado deverá ser a mulher do príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, a princesa Sara bint Mashour Al Saud. Inicialmente foi referido que seria o próprio príncipe, n o governante máximo da Arábia Saudita, a visitar a Madeira, sobretudo depois de um avião oficial ter treinado aterragens no Aeroporto Cristiano Ronaldo.

A notícia motivou, de imediato, reacções na página online do DIÁRIO dnoticiais.pt, com referências a toda a polémica que envolve acusações de perseguições a opositores e a dureza do regime saudita.

Este fact-check procura avaliar a veracidade das acusações feitas a Mohammed bin Salman, sobretudo o envolvimento no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, crítico do regime totalitário da Arábia Saudita.

“Mohamed bin Salman (MBS), o príncipe herdeiro e governante de facto da Arábia Saudita, está associado a várias controvérsias internacionais de grande impacto, equilibrando uma imagem de modernizador económico com duras acusações de violações dos direitos humanos. A maior crise diplomática enfrentada por MBS foi o assassinato e desmembramento do jornalista crítico Jamal Khashoggi dentro do consulado saudita em Istambul.” O comentário do leitor José Carvalho, em dnoticias.pt é um dos mais completos sobre o assunto e justifica este fact-check.

Desde logo, é importante lembrar que a Arábia Saudita é uma monarquia absolutista, em que o rei tem o poder absoluto e designa um governo que, salvo excepções é composto por membros da sua família.

Mohamed bin Salman é primeiro-ministro, nomeado pelo seu pai Salman bin Abdul Azziz Al-Saud, chefe da família Al-Saud que desde sempre governa o país. O rei estará incapacitado pelo que o governo do país e da casa real está entregue ao filho e sucessor.

A Arábia Saudita não tem qualquer estrutura democrática, com o poder real a estender-se a todos os sectores incluindo os tribunais. O país segue a lei islâmica, a Sharia, com execuções públicas, por decapitação, corte de membros e chicotadas. Crimes como blasfémia, relações homossexuais ou a simples crítica à família real podem implicar qualquer uma das punições anteriores.

No que diz respeito aos direitos humanos, os cerca de 25 milhões de sauditas não têm todos o mesmo tratamento. As mulheres são claramente discriminadas, não podendo, por exemplo, viajar sozinhas ou, algo ainda mais básica, conduzir um automóvel.

É este país onde Cristiano Ronaldo joga e que é governado por Mohamed bin Salman. O príncipe assumiu a chefia do governo em 2022 e procurou modernizar a economia, uma maior abertura no tratamento das mulheres, mas os resultados têm sido vistos como apenas medidas de fachada, uma vez que o poder absoluto da família real não sofreu qualquer alteração.

A imagem e um país rico, com milionários que investem em todo o mundo – o futebol é apenas um pormenor – contrasta com uma estrutura social que choca com os princípios básicos das democracias ocidentais.

A Arábia Saudita tem de ser classificada como uma ditadura – não há qualquer margem para oposição política – e a forma como trata os opositores confirma.

Como refere o leitor José Carvalho no seu comentário, o assassinato de Jamal Khashoggi, jornalista do Washington Post – anteriormente foi editor do Al-Arab News Channel - , em Outubro de 2018, no consulado saudita de Istambul, na Turquia foi desde logo relacionado com Mohamed bin Salman, que já era o homem-forte do regime.

Khashoggi noticiou casos de corrupção e atentados contra os direitos humanos na Arábia Saudita, visando directamente o príncipe.

O jornalista foi assassinado por agentes do governo de Riad, tendo o seu corpo sido desmembrado. As autoridades turcas reuniram provas do crime no consulado.

A família real negou o envolvimento no crime e em Novembro de 2018 a procuradoria geral saudita indiciou onze pessoas pelo crime.

Os sauditas negaram envolvimento da família real mas as autoridades turcas divulgaram gravações áudio que teriam provas de que a ordem para o assassinato seria de Mohamed bin Salman. A CIA, dos Estados Unidos, chegou à mesma conclusão, num relatório que mais tarde seria contestado por Donald Trump.

Em 2019, cinco pessoas foram condenadas à morte, na Arábia Saudita, pelo assassinato de Khashoggi. Mais tarde as penas foram comutadas em 20 anos de prisão, depois de a família do jornalista ter perdoado aos assassinos, segundo as autoridades sauditas.

Mohamed bin Salman negou sempre o envolvimento no crime, mas as suspeitas nunca o largaram.

Já este ano, foi noticiado que em França, país que o príncipe visitou, será aberta uma investigação sobre o envolvimento no assassinato do jornalista. As queixas foram apresentadas pelos Repórteres Sem Fronteiras e pela associação Trial International.

Por tudo isto conclui-se que  o comentário do leitor José Carvalho é verdadeiro.

“Mohamed bin Salman (MBS), o príncipe herdeiro e governante de facto da Arábia Saudita, está associado a várias controvérsias internacionais de grande impacto, equilibrando uma imagem de modernizador económico com duras acusações de violações dos direitos humanos. A maior crise diplomática enfrentada por MBS foi o assassinato e desmembramento do jornalista crítico Jamal Khashoggi dentro do consulado saudita em Istambul” José Carvalho Comentário em dnoticias.pt